Atriz negra encarna Marilyn Monroe no teatro
São Paulo, 01 (AE) - Ela não é loira, nem branca, no entanto é apaixonada por Marilyn Monroe. A atriz Zezé Barbosa estréia, no dia 19 de novembro no Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, o monólogo "Marilyn again", uma comédia policial que retrata de maneira debochada o cotidiano da estrela americana representada por uma mulher simples.
"É uma homenagem a esse símbolo do século", afirma Zezé. O texto escrito pela própria Zezé, em parceria com Bettina Boop, é uma brincadeira baseada na vida da Marilyn com referências a seus principais filmes. O roteiro retrata a história da negra Maria Antonia, manicure, apaixonada por Osvaldo. Ao contrair uma doença, batizada de write satanics, ela perde sua melanina tornando-se branca e loira. A partir desse fato a peça narra, por meio de cenas nomeadas com títulos de filmes, o dia-a-dia dessa personagem, transformada inconscientemente em Marilyn Monroe.
"A peça flagra momentos da vida dela", conta Zezé. A idéia, para as autoras, é mostrar o lado humano de Marilyn de uma forma divertida. "A alma do ser humano é sempre a mesma, independente de quem seja", argumenta.
O projeto da peça existe há quatro anos, no entanto, a atriz acredita estar preparada para realizá-lo agora, aos 21 anos de carreira. "É o meu primeiro monólogo", diz entusiasmada. Zezé possui todos os filmes da estrela, leu as biografias e o seu grande sonho era ser a musa. "Ela era um frisson", afirma. Portanto, garante que a cena do ventilador e o famoso happy birthay terão seu espaço.
"A peça surgiu de uma imagem da Zezé preta do jeito que é, de Marilyn ", comenta Ronney Fachinni, diretor do espetáculo. Na opinião dele, o interessante é que a atriz contracena com personagens invisíveis, interpretados por Miguel Fallabela por intermédio de locução.
"Marilyn again" trata sobre o preconceito, sem levantar bandeiras e discussões sobre isso, mas de certa forma demonstra o tratamento que o negro tem no País. Para Zezé, o preconceito é com a minoria e, por meio da brincadeira, acha intessante que o público se conscientize dessa situação. "É uma pitada sobre o assunto", explica.
O processo de ensaio tem sido divertido para a atriz e diretor, que se conhecem há tempos. Trabalharam juntos em "Efigônia" e ambos são frutos do grupo Circo Grafitte, que fez muito sucesso com os espetáculos "Você Vai Ver o Que Você Vai Ver", dirigido por Gabriel Vilella, e "Almanaque Brasil". A linguagem direcionada para o teatro de humor é conhecida e dominada por ambos em consequência dessa trajetória comum.
A equipe da montagem reúne nomes conhecidos do teatro paulistano. O cenário é de Luís Rossi, carnavalesco da escola de samba Vai-Vai, e a trilha sonora é da premiada Tunica. A iluminação fica a cargo de David de Brito e os figurinos são assinados por Cacau Brasil, um estilista que vem despontando no exterior. A produção é de Zezé e Ricardo Peixoto.
"Marilyn again", para a interprete, é um complemento dos seus trabalhos: "As Sereias da Zona Sul", de Falabella, em que contracenou com Rosi Campos, e "Você Vai Ver o Que Você Vai Ver", espetáculo que lhe deu a certeza de que queria ser atriz em vez de garçonete. E acredita que este é o seu melhor momento.
"Estou completando uma trilogia", afirma. Além deste trabalho, Zezé prepara-se para participar do filme "Polaroides Urbanas", de Falabella. E também participa do filme "Paixão Perdida", de Walter Hugo Khoury, que está percorrendo o Brasil. Mas aguarda ansiosamente a estréia de Marilyn again, uma peça que sempre sonhou fazer.





