A atriz Léa Albuquerque comemora neste mês de setembro 25 anos de carreira. A celebração acontece no palco, ao lado dos filhos, dos amigos e do público. A convite da Escola Municipal de Teatro de Londrina, Léa Albuquerque apresenta o espetáculo ‘‘Fica Comigo Esta Noite’’, do dramaturgo paulista Flávio de Souza, cuja estréia aconteceu em Curitiba. A atriz divide o palco com Renato Scarpin. O espetáculo fica em cartaz de hoje até domingo, sempre às 21 horas, no Circo Funcart.
Em ‘‘Fica Comigo Esta Noite’’, a personagem tem oportunidade de abrir seu coração para a pessoa amada, mas de uma forma inusitada. O marido teve um ataque e morreu. Inconformada por não conseguir se despedir do marido, ela tenta desesperadamente manter um contato para dar o último adeus ao amado. Graças à magia do teatro, a jovem viúva pôde desaguar suas emoções.
‘‘Nessa carreira, é preciso ter persistência’’, ensina a atriz, num breve intervalo da montagem do cenário de ‘‘Fica Comigo Esta Noite’’. Esse momento significativo fez com que Léa Albuquerque revisitasse sua trajetória como atriz. Aos 14, em Londrina, montou na escola uma livre adaptação da peça ‘‘Anjo Calminho’’, em 1975. Logo a seguir, pelas mãos do ator Apolo Theodoro, ingressou no Grupo Gente, atuando na peça ‘‘A Farsa do Juiz’’, de Alejandro Casona. Ela considera Apolo seu primeiro grande mestre nas artes cênicas. Nos anos 70, o teatro político fervilhava, brigando por espaço físico e ideológico.
No extenso currículo da atriz, algumas mulheres companheiras de viagem foram fundamentais para seu crescimento profissional. Formam a galeria de mulheres essenciais na trajetória artística de Léa Albuquerque: Joana, personagem de ‘‘Gota D’Água’’, de Chico Buarque e Paulo Pontes; uma das tias solteironas, de ‘‘Toda Nudez Será Castigada’’, de Nelson Rodrigues; Dorotéia, peça homônima de Nelson Rodrigues; e Leonor da Aquitânia, rainha enclausurada, adaptação livre do filme ‘‘Leão no Inverno’’. Essas mulheres ficcionais se escoram na solidão. Com ‘‘Toda Nudez Será Castigada’’, montagem histórica dirigida por José Antônio Theodoro, em 1985, Léa viajou todo o País, Estados Unidos e Europa, sendo um marco em sua carreira.
Nos últimos sete anos, trabalhou em Curitiba, sendo indicada ao Prêmio Gralha Azul de melhor atriz. De volta à Londrina, Léa Albuquerque atua como professora de interpretação na Escola Municipal de Teatro, trabalhando com os alunos do último ano. ‘‘Procuro mostrar a realidade da profissão para eles. O ator precisa fazer 10 coisas ao mesmo tempo, para dar conta da profissão’’, prossegue. Em Londrina, ainda não é possível viver profissionalmente de teatro. Mas um grande passo para a cidade, na concepção da experiente atriz, é a criação das duas escolas de teatro. ‘‘As pessoas agora têm uma referência’’.
‘‘Fica Comigo Esta Noite’’, de Flávio de Souza, direção de Chico Nogueira, com Léa Albuquerque e Renato Scarpin, sexta, sábado e domingo, às 21 horas, no Circo Teatro Funcart, Rua Souza Naves, 2380. Ingressos: inteira (R$ 10,00), com bônus (R$ 8,00) e estudantes e classe teatral (R$5,00).

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