A Secretaria de Meio Ambiente e Turismo de Corumbá-Sematur, quer desmistificar o rótulo imposto à região, conhecida como um dos principais pólos pesqueiros do Brasil. De fato, a cidade dispõe da maior estrutura fluvial para a pesca esportiva, atraindo anualmente cerca de 50 mil turistas, a maioria de São Paulo. Mas tem também história, casarões seculares, rico artesanato, uma culinária típica à base de peixe, fronteira com a Bolívia para compras e, principalmente, a maior de todas as atrações: o Pantanal.
Com grande potecial ecoturístico – é o maior município pantaneiro, com 54 quilômetros quadrados – Corumbá começa a criar projetos para atrair o turista ecológico. É o caso, por exemplo, da implantação da Estrada Parque, criada pelo governo de Mato Grosso do Sul há cinco anos.
Antiga estrada boiadeira e de acesso à fronteira nos anos 70, partindo de Campo Grande, a chamada Transpantaneira corta uma das regiões mais ricas em fauna e flora e já conta com uma infra-estrutura de pesqueiros e pousadas instaladas em centenárias fazendas de gado. O projeto tem o apoio da WWF-Fundo Mundial para a Natureza e outros organismos nacionais como a Fundação Boticário.
A Estrada Parque começa no entrocamento da BR-262 (a 300 km de Campo Grande), no trecho chamado de Buraco das Piranhas. Tem 119 quilômetros de terra, com mais de 50 pontes elevadas de madeira para permitir a vazão das águas na época das enchentes naturais do Pantanal. Situada na região da Nhecolândia, marco do início da colonização do Pantanal pelo homem, há mais de 200 anos – a estrada é ideal para a prática do turismo contemplativo, de aventura e de safári fotográfico. O visitante, com certeza, ficará extasiado com a quantidade de animais silvestres, aves e pássaros que povoam lagoas e banhados, margeando a estrada. São tuiuiús, garças, biguás, capivaras, cervos e muitos, muitos jacarés.
É uma estrada sem muito tráfego e uma das regras básicas é não ter pressa. A travessia das pontes possibilita uma pescaria não programada nas águas límpidas, que estão saindo dos campos para deságuar nos rios. Ou uma parada obrigatória para observar a passagem das famosas comitivas de gado.
Em época de cheia (de maio a julho), a estrada fica parciamente submersa e o acesso às pousadas é feito somente com carro traçado ou barco. É uma época propícia para observar os animais, que se concentram nas áreas secas, e bandos de tuiuiús nas lagoas à procura de peixes.
Antigas fazendas de gado, transformadas em pousadas, esperam pelos turistas com todo conforto (ar condicionado, parabólica e às vezes, até telefone). Além do contato com os peões e com a lida do gado, o visitante ainda pode conhecer melhor as entranhas do Pantanal no lombo de um cavalo (manso) ou caminhando por trilhas selvagens.
A viagem por esses caminhos pode ser feita com ou sem guias (geralmente as pousadas oferecem pacotes com carro apropriado para a região. Para quem vive a neurose urbana, o silêncio entrecortado por algazarras de garças, papagaios e macacos, é um santo remédio para o estresse e para a mente. Somente quem convive com o Pantanal e seus mistérios, pode entender porque se diz que ali é o paraíso.
Para aproveitar todo esse potencial ecoturístico, a Sematur está criando um sistema de interpretação ambiental, que consiste na construção de mirantes em banhados, morraria, cordilheiras e lagoas permanentes. Com isso, o turista tem um contato mais próximo com o habitat dos animais.

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