Atrás do trio elétrico
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segunda-feira, 05 de fevereiro de 2001
Carol Nascimento Agência Estado 
A Capital baiana disputa com Recife, Olinda e Rio o título de maior e melhor Carnaval do País. O fato é que Salvador atraiu no ano passado 800 mil pessoas, 150 mil a mais que no ano anterior, e a expectativa é que em 2001 a cidade receba cerca de 920 mil turistas só para o Carnaval, muitos vindos de cidades do interior do próprio Estado. O que atrai tanta gente é a fama de ser o maior Carnaval de rua do mundo. São cerca de 25 quilômetros de festas, distribuídas em três circuitos principais Osmar, Dodô e Batatinha , além das festas de bairro que acontecem pela cidade. Os dois primeiros, uma homenagem à dupla elétrica Dodô e Osmar, músicos baianos que criaram em 1950 o trio elétrico.
O circuito Osmar é o mais tradicional, por onde passam os grandes blocos da cidade, como Cheiro de Amor, Beijo, Eva e Camaleão, e também os mais caros. Os trios percorrem cerca de sete quilômetros, saindo do Corredor da Vitória, no bairro do Campo Grande, centro da cidade, percurso muito puxado até para alguns baianos, que no fim não conseguem tirar o pé do chão.
O circuito Dôdo (Barra-Ondina) é chamado alternativo por ter surgido como uma opção para os que não podiam pagar tão caro por um abadá. O percurso é menor, em torno de quatro quilômetros, e à beira-mar. Diferente da maioria dos blocos do circuito Osmar, no Dodô colocam uma banda diferente a cada dia para tocar. O Batatinha é o circuito do Centro Histórico, onde desfilam os blocos afros, que surgiram em 1974 com o Ilê Aiyê, aparecendo logo depois o afoxé Filhos de Gandhy, que forma o tradicional tapete branco da paz.
Para quem quer ver o couro comer, nos primeiros dias de Carnaval o agito maior é no circuito Barra-Ondina, a partir das 17h. Depois a festa começa meio-dia, no Campo Grande, e termina ao amanhecer, nos bairros Barra e Ondina. Na manhã de quarta-feira de cinzas, entre 11 e 12 horas, a Timbalada deve aparecer ainda, na Barra, como todos os anos, com o conhecido Arrastão, seguido pela Madeirada de Ivete Sangalo. Nesta mesma quarta-feira, da madrugada ao amanhecer, acontece o tradicional encontro de trios elétricos da Praça Castro Alves, roteiro não muito recomendado para os turistas principiantes em Carnaval baiano. O motivo: muita gente em muito pouco espaço.
Este ano, a prefeitura fará uma homenagem ao cantor e compositor baiano Dorival Caymmi, com a realização de concursos de entidades afros e afoxés na Praça Castro Alves.
Quatro bairros da cidade Liberdade, Periperi, Cajazeiras e Itapuã também contam com programação de shows de sábado a terça-feira. Além disso, o Palco do Rock, montado na praia de Piatã, oferece programação diferenciada entre sábado e terça-feira. Toda a programação pode ser encontrada no site da Emtursa (www.emtursa.ba.gov.br), órgão oficial de turismo de Salvador. O carnaval de 2001 em Salvador, que tem como tema Cultura da Paz, terá 170 blocos desfilando, sendo 50 blocos de trio, 22 alternativos, 31 de percussão, 28 afros, 13 afoxés, 11 infantis, 12 travestidos, 2 índios e 1 especial, além dos trios elétricos independentes. Em 2000 foram 151.


