Atrás das grades, a Bíblia rima com rap
Fernando Gonçalves de Avelar, conhecido como Azedo, esteve envolvido com o mundo do crime. Cheguei a um estágio lastimável. Depois de um assalto, acabou preso. Do 5º Distrito Policial, nos Cinco Conjuntos, reverteu seu modo de pensar, aliando as leis bíblicas com o ritmo do rap. Nos limites mínimos da cela, padeceu com pesadelos. Parecia que ia morrer. A força para suportar foi Jesus. Agora, usa o rap para evangelizar, retratando a doutrina iludida em que vivia. Sua rotina é o silêncio, reclusão. Chega no corredor do Distrito, coloca a base de rap e manda seu recado gospel, enquanto espera a sentença. Depois quero viver uma vida digna, prossegue. Ele foi engraxate, servente de pedreiro e funileiro. Frequentou os bancos de escola até a 8ª série. A família sofre mais que a gente., diz cabisbaixo. O CD Um Passo para a Vitória está sendo produzido.
No mesmo espaço, Alexandre Bernardo Dutra (Mano B.O. Sobrevivente do Crime) está há um ano. Já tirou um terço da pena, está contando os minutos para sair. Quase toda manhã, ensaia no corredor do Distrito, que abriga 80 detentos. Um dia vou lembrar que passei por aqui e progredi, resume. Preso, relembra os conselhos dados por Mano Brow, do Racionais, sobre o rap. Vai pra frente que vocês são bons. Cheio de planos, pretende voltar a estudar, parou os estudos no último ano do 2º grau.





