Atores que cresceram trabalhando na TV
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quarta-feira, 12 de março de 2014
Luana Borges<br>TV Press 
Trabalhar na televisão requer maturidade. No caso de atores que começam a fazer novela ainda na infância e crescem aos olhos do público, tal característica costuma se desenvolver cedo. Afinal, desde novos eles aprendem a administrar o tempo entre os estudos e as gravações, a lidar com o assédio do público e com o fato de serem famosos. Mas quase ninguém assume ser esta uma rotina estressante para uma criança. Para Bruna Marquezine, que interpreta a Luiza de "Em Família", passar horas a fio dentro de um "set" era sinônimo de diversão. "Por mais que eu tivesse noção de que aquilo era o meu trabalho, transformava tudo em uma grande brincadeira. Fui crescendo e me apaixonando ainda mais pela profissão", frisa a atriz, que estreou na teledramaturgia na pele de Salete em "Mulheres Apaixonadas", de 2003, quando tinha sete anos. "Foi o papel que mais me marcou", completa.
Mas estar à frente das câmaras desde criança não impede que os altos e baixos inerentes à carreira aconteçam. Principalmente, quando os atores alcançam a puberdade, fase em que já não são mais pequenos e, geralmente, bonitinhos e ainda estão longe da idade adulta. É este o momento em que as escalações de elenco costumam ficar mais escassas. Pelo menos, foi o que Caio Blat percebeu em determinada época de sua vida. Depois de experimentar o reconhecimento do público e distribuir autógrafos por conta de sua atuação em "Éramos Seis", exibida pelo SBT em 1994, ele ficou um tempo longe das novelas quando atingiu a adolescência. E viu que as abordagens já não eram mais frequentes e que a fama havia diminuído. "Isso pode até mexer com a cabeça de uma criança. Por outro lado, pode ser muito bom você passar por essas oscilações desde cedo, aprender que isso faz parte da carreira e chegar na fase madura com uma bagagem maior", analisa o intérprete de Sonan, em "Joia Rara".
Situação semelhante passou Tatyane Goulart. Atualmente no ar como a Lívia de "Pecado Mortal", ela também estreou na tevê muito nova, aos 7 anos, em "Felicidade", de 1991. E trabalhou direto até os 12. Mas, quando entrou na adolescência, engordou 12 quilos e os papéis deixaram de aparecer. "Foi oportuno me colocarem na geladeira porque, além disso, minha imagem já estava desgastada", pondera ela, que aproveitou para se dedicar mais ao teatro e à escola nesse meio tempo.
Começar na carreira artística muito novo também pode gerar diversos questionamentos ao longo dos anos. Em determinado momento, quando estava no ar em "Minha Nada Mole Vida", David Lucas começou a se perguntar se aquilo era realmente o que queria fazer. Ele, que estreou em "O Pequeno Alquimista", microssérie exibida pela Globo em 2004, recorreu aos conselhos do pai, que sempre o apoiou em suas decisões. Mas não demorou para a crise passar. "Tenho certeza de que vou seguir essa carreira, mas naquela época estava passando por um amadurecimento muito rápido por causa do trabalho. Tive de dar uma respirada para saber o que queria", recorda.
Essa transição da infância para a fase adulta, pela qual todo ator-mirim que segue na carreira passa, é mais sentida para uns do que para outros. Sérgio Malheiros, que ficou conhecido ao interpretar o Raí de "Da Cor do Pecado", filho da personagem de Taís Araújo, nem percebeu essa mudança. "Foi na Record que fiz minha transição de ator-mirim para ator adulto. Foi muito espontâneo e natural. Não senti", admite. Já Miguel Rômulo, o Décio de "Joia Rara", comemora o fato de ter atingido a idade adulta. Segundo ele, agora os papéis que interpreta são mais interessantes dramaturgicamente. "Quando a gente faz um personagem adulto, ganha muito mais responsabilidade e consegue mostrar melhor o trabalho. O personagem tem mais influência e importância na história", constata.
Influência que vem de casa
Ser filho de pais atores é meio caminho andado para seguir a mesma profissão. Afinal, crescer entre coxias e estúdios de tevê facilita e muito o acesso. Além de ajudar a despertar o interesse pela interpretação. Que o diga Caio Junqueira. Filho de Fábio Junqueira, ele assume com orgulho que só é ator porque acompanhou de perto o trabalho do pai, que faleceu em 2008. "A profissão que eu escolhi é o maior vínculo que tenho com ele. O exemplo que meu pai me deu foi o melhor, não teria por que eu seguir outra coisa", reforça.
Mas nem sempre o desejo de atuar é uma influência da família. A princípio, Marina Ruy Barbosa ouviu muito "não" dos pais até que eles aceitassem sua vontade, que surgiu quando ela ainda era criança. "Eu brinco que minha mãe queria que eu fosse médica. Mas é isso que gosto de fazer", afirma a atriz.


