Atores no olho da rua
A cena ainda é comum. Disposto a vender qualquer coisa, o sujeito forma uma roda de assistentes na rua ou praça prometendo um feito fantástico. A conversa se estende com uma série de artifícios até que o produto é comercializado e o vendedor vai embora - com dinheiro no bolso - sem realizar o prometido. São os charlatães.
Abraçada pelo teatro, esta estrutura revela proximidade com um público casual, passante, que não tem hora para chegar ou ir embora. O improviso recorrente da situação amplia o leque de gags, invertendo erros ou imprevistos em benefício do próprio espetáculo.
É essa a bússola da Cia Público, do Rio de Janeiro, que apresenta o espetáculo A Sua Melhor Companhia: Ôba!!! e suas variações dentro da programação da Mostra Regional Nacional Universitária do Festival Internacional de Londrina.
Transformada em intervenção, a peça será exibida hoje às 18 horas no Catuaí Shopping. O formato completo pode ser visto no Circo Funcart (Rua Senador Suoza Naves, 2.380), amanhã, às 22 horas, e no Calçadão (em frente ao Banco do Brasil), na segunda-feira, às 12 horas.
Além das artimanhas do espetáculo de rua, a Cia do Público também incorpora elementos circenses. A mistura de teatro com circo resulta num espetáculo
bem-humorado, em que a participação do público é tão intrínseca que colaborou para o desenvolvimento da concepção final.
É um espetáculo de circo-teatro com uma estrutural tradicional. Tem um módulo de circo e uma história, uma paródia ao universo do teatro, do cinema e da televisão, comenta o ator Sérgio Machado. O formato da peça foi definido em 1994, e desde então foi modificada conforme as reações dos espectadores. Fazemos um espetáculo com o público e para o público, para que ele se torne o protagonista, acrescenta.
A gente resgata um pouco a tradição dos charlatães, menestréis e cômicos de cabaré. Usamos um terninho com gravata borboleta e carregamos um aspecto de glamour, mas tudo é muito pobre, porque não temos nada, comenta Júlio Adrião, outro membro da Cia.
A interação com o público provoca casos interessantes. Certa vez, numa apresentação, uma senhora entrou em cena e bateu na mala em que os atores carregam seus utensílios. Sérgio Machado não perdeu a deixa e perseguiu, correndo, a invasora por alguns metros. Em outra ocasião, a fina chuva que caía sobre o espetáculo virou toró. O jeito foi transferir a peça para um lugar coberto. E o público foi atrás.DivulgaçãoCia do Público em ação: elementos circenses e a manha do teatro de rua cativam os transeuntesRanulfo Pedreiro





