Nova York - O Oscar deste ano entra para a história pelo reconhecimento do trabalho de artistas negros em Hollywood. Halle Berry, de ‘‘A Última Ceia’’, ganhou o prêmio de melhor atriz, dado pela primeira vez a uma negra. Em uma dobradinha histórica, Denzel Washington venceu a categoria de melhor ator, por ‘‘Dia de Treinamento’’. Para completar a festa da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, um dos negros pioneiros em Hollywood foi homenageado pelo conjunto de sua carreira: Sidney Poitier, que ganhou o Oscar de melhor ator em 1963, por ‘‘Uma Voz nas Sombras’’.
No primeiro Oscar realizado no novo Kodak Theater, ‘‘Uma Mente Brilhante’’ levou o prêmio de melhor filme, o de melhor diretor, para Ron Howard, e o de melhor atriz coadjuvante, para Jennifer Connelly. O filme também foi premiado na categoria de melhor roteiro adaptado. Ficou de fora da festa seu ator principal. Russell Crowe, um dos favoritos ao prêmio, que ganhou no ano passado por ‘‘Gladiador’’. ‘‘Uma Mente Brilhante’’, sobre a luta do matemático John Forbes Nash, Jr. contra a esquizofrenia, foi baseado no livro de Sylvia Nasar.
Um dos momentos mais emocionantes da noite foi a premiação de Berry, que fez um longo (3 minutos, ante os 45 segundos recomendados pela organização) e choroso discurso de agradecimento. Em ‘‘A Última Ceia’’, a atriz faz o papel de uma garçonete que luta contra o ciclo vicioso da pobreza e da violência em um comunidade racista da Geórgia, no Sul dos Estados Unidos. Ela faz o papel de uma viúva que tem um relacionamento com um dos agentes penitenciários responsáveis pela execução de seu marido.
Washington já tem dois Oscars: ele também ganhou o de melhor ator coadjuvante por ‘‘Tempos de Glória’’, em 1990. Esta é apenas a segunda vez que um negro ganha o prêmio de melhor ator, para o qual ele já tinha sido indicado outras duas vezes, por ‘‘Malcolm X’’ (1993) e ‘‘The Hurricane - O Furacão’’ (2000). O pioneiro foi o mentor de sua carreira: ‘‘Por 40 anos eu persigo Sidney (Poitier). Eles finalmente deram (o Oscar) para mim, na mesma noite em que ele também ganhou.’’
Os Oscars de coadjuvantes foram para papéis do tipo ‘‘cônjuge dedicado’’: os vencedores foram Connelly, pelo papel de Alicia Nash, a mulher que tentou curar com amor os problemas do matemático esquizofrênico, e Jim Broadbent, por ‘‘Iris’’, no qual interpreta John Bayley, marido da autora Iris Murdoch, da qual cuidou quando ela sofreu da doença de Alzheimer. O inglês foi chamado de o ‘‘amuleto’’ de sorte do Oscar deste ano: as três atrizes com quem contracenou em seus filmes mais recentes receberam indicações: Nicole Kidman, em ‘‘Moulin Rouge - Amor em Vermelho’’; Judi Dench, em ‘‘Iris’’, e Renée Zellwegger, em ‘‘O Diário de Bridget Jones’’.

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