Atores negros ainda lutam por espaço
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quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Miguel Arcanjo Prado<br> Folhapress 
''A Favorita'' estampa com naturalidade na telinha da Globo uma família de negros ricos. Mas a trajetória dos atores negros na TV brasileira não foi fácil. No Dia Nacional da Consciência Negra, atores garantem que ainda convivem com o preconceito e têm dificuldade em conseguir bons papéis. ''Há muita gente que olha com despeito para o Romildo Rosa, não pelo fato de ele ser um político corrupto, mas pelo fato de ele ser um negro poderoso. Isso incomoda'', diz o ator Milton Gonçalves, sobre o personagem que vive na novela. Ele recebeu o Troféu Raça Negra no último domingo. ''Não pensei que veria um negro, Barack Obama, na Presidência dos EUA. Isso prova que a dignidade não está na cor, mas no caráter'', aponta.
O ator Antônio Pitanga foi o patriarca de uma família negra de classe média na novela ''A Próxima Vítima'' (Globo), em 1995. ''Sempre trabalhei para que a igualdade racial não seja só uma utopia'', revela.
''Estou cansada de tanta luta. O Brasil é um país racista'', afirma a atriz Neusa Borges, que volta ao ar na Globo em 2009, em ''Caminho das Índias''.
Lázaro Ramos, protagonista de ''Ó Paí, Ó'' (Globo), concorda. ''O preconceito racial é uma ferida em nosso País. É preciso falarmos sobre isso''.
Taís Araújo foi a primeira negra a protagonizar uma telenovela, em Xica da Silva, exibida pela Manchete em 1996. ''Sinto-me honrada em ter sido protagonista e tenho consciência do papel social que representei. Tem de ter mais protagonistas negros.''
Ela lutou para chegar lá. Durante a adolescência, quando era modelo, tinha menos trabalho que suas colegas loiras. ''Sempre fotografava menos. A presença do negro naquela época na publicidade estava apenas começando. Hoje já melhorou muito, até porque há muitos produtos direcionados para os negros'', afirma.
Na TV, Taís chegou a ser preterida. ''Quando estava fazendo Tocaia Grande, na Manchete, primeiro recebi uma personagem que seria uma das protagonistas, mas depois me deram um papel menor, porque ter uma negra como protagonista era impensável'', lembra.
Taís, que também é jornalista, orgulha-se de ter um programa sobre beleza, o ''Superbonita'', no canal pago GNT. ''Quando me convidaram, nem titubeei'', lembra. Apontada como a próxima Helena de Manoel Carlos, ela diz: ''Ainda não recebi convite. Mas, se ele vier, vou amar''.


