Atores lucram com comerciais
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quarta-feira, 16 de dezembro de 1998
Carla França Agência Estado 
Cair nas graças do público por causa de um papel numa novela costuma trazer, além de fama, muito dinheiro para um ator. Que o diga Cláudia Jimenez, a divertida Bina de Torre de Babel, da Globo. Como consequência do sucesso, a atriz virou uma disputada garota-propaganda. Há pelo menos quatro comerciais protagonizados por Cláudia sendo veiculados simultaneamente. Trabalhamos a imagem dela desde a época do Sai de Baixo, explica Cândida Colucci, agente da atriz. Agora, Cláudia estourou de novo, surgiram mais convites e ela tem de aproveitar.
Arquivo FolhaCláudia Raia: papel de vilã atrapalhaCláudia Jimenez é a bola da vez, mas há uma lista de globais cotadíssima no meio publicitário. Dela constam Malu Mader, Regina Casé, Ana Paula Arósio, Luana Piovani, Rodrigo Santoro e Carolina Ferraz, entre outros. De acordo com pesquisas feitas pelas agências, credibilidade, modernidade, versatilidade e beleza são as credenciais para um ator anunciar produtos. Eva Wilma é tida pelos publicitários como exemplo de seriedade. Como a dra. Marta, do seriado Mulher, da Globo, ela reforça a idéia. Hoje, além de uma campanha institucional de prevenção ao câncer no útero, Eva mostra seu humor no comercial de um desinfetante. Foi divertido fazer esse trabalho, diz a atriz, que impõe condições para estrelar propagandas. Tenho de conhecer o produto e ler o roteiro de antemão, continua.
Susana Viera faz a mesma exigência. Tenho medo de entrar numa barca furada, como, por exemplo, anunciar um prédio que pode nunca sair da planta, diz a atriz, que acaba de gravar um comercial para um shopping em Nova York. Estudo cada caso, continua Susana. Mas o dinheiro é sempre bem-vindo e é graças a ele que muitos de nós compramos nossos apartamentos.
Antônio Fagundes, o mais citado nas pesquisas, é um dos mais requisitados pelo mercado. O problema é que ele faz tudo, de anúncio de banco a móveis, diz Carlos Righy, da agência DPZ. A superexposição não é bem-vista pelos profissionais da publicidade. Cria confusão na cabeça do consumidor, que pode perder a referência do produto, diz Nílvia Centeno, diretora de Rádio e Televisão (RTV) da McCann Erickson.


