Atores e bailarinos encenam Lorca
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segunda-feira, 02 de março de 1998
Jackeline Seglin 
Josoé de CarvalhoSinhá Rosita já está em fase final de montagem: espetáculo deve agradar às mulheresA Fundação Cultural de Ibiporã vai estrear dois novos espetáculos teatrais ainda em março. Há um mês o ator e diretor carioca Luiz Carlos Laranjeiras está na cidade dirigindo as montagens Sinhá Rosita e Valsa Nº 6, que têm estréia prevista para a segunda quinzena, no Cine-Teatro Padre José Zanelli.
A indicação de Laranjeiras surgiu quando um grupo de artistas da fundação foi até São José dos Campos (SP), onde participou de um festival de teatro, para buscar um nome para ser o diretor da trupe.
Sinhá Rosita, baseado na Tragicomédia de Dom Cristovinho e Sinhá Rosita, de Federico García Lorca, já está em fase final de montagem. A escolha dos textos aconteceu depois de muito trabalho.O grupo fez pesquisas para encontrar o texto mais adequado ao grupo. Estudamos Brecht, Nelson Rodrigues, Ariano Suassuna e outros autores, até optarmos por Lorca. É um autor próprio para o grupo, defende o diretor.
No dia 5 de junho será comemorado o centenário do poeta espanhol, que morreu assassinado em 1936 pelo regime fascista.
Segundo Laranjeiras, toda mulher vai se identificar com o espetáculo. Sinhá Rosita fala da alma feminina, do amor impossível. Do amor de uma jovem por um poeta pobre que vive de fazer poemas para a lua e de cantar nas janelas para as donzelas, explica. A confusão começa quando o pai da jovem, com dificuldades financeiras, resolve casá-la com um homem rico e fanfarrão. Laranjeiras conta que García Lorca se inspirou na arte popular para escrever este texto, ainda na adolescência. É uma linguagem simples e ao mesmo tempo sofisticada.
A tragicomédia musical tem 1h15 de duração e incorpora dança brasileira e espanhola (flamenca). Concebido originalmente para adultos, Sinhá Rosita é um espetáculo aberto a todas as idades.
O elenco desta montagem é formado por 14 atores e bailarinos do Departamento de Dança e Artes Cênicas da Fundação Cultural. Laranjeiras explica que alguns artistas foram incorporados ao grupo, mas o núcleo do elenco é o Teatro da Cadela Manca, grupo que no ano passado apresentou o espetáculo Biedermann e os Incendiários. O diretor conta que a experiência de dirigir atores e bailarinos locais está sendo proveitosa, pois a integração entre eles nem sempre dá certo. Os bailarinos costumam ser muito disciplinados e o receio de se apresentar chegou a amedrontar alguns no início. Superadas as dificuldades, os dançarinos estão se dando muito bem, assumindo inclusive papéis de destaque na trama.
Além da direção geral do espetáculo, Luiz Carlos Laranjeiras também é responsável pela concepção de cenografia, iluminação e direção musical. Os figurinos são de Júlio Dutra.
O segundo projeto da Fundação Cultural com o diretor Luiz Carlos Laranjeiras ainda está em fase inicial. Valsa Nº 6 é uma trama psicológica que retrata a busca de uma adolescente por sua identidade. Este espetáculo trabalha os planos da realidade, memória e alucinação, observa. O desafio, segundo Laranjeiras, será montar o espetáculo com um homem.
O diretor adianta que Valsa Nº 6 e Sinhá Rosita foram produzidos pela Fundação Cultural numa primeira tentativa de se criar uma cooperativa de teatro.


