NOVA YORK (EUA) - O ator americano Val Kilmer, famoso por interpretar o personagem 'Iceman' em "Top Gun", faleceu aos 65 anos, vítima de pneumonia, informou sua filha Mercedes ao jornal The New York Times.

Grande estrela de Hollywood das décadas de 1980 e 1990, ele também interpretou o cantor Jim Morrison no filme "The Doors" de Oliver Stone e encarnou o super-herói de Gotham em "Batman Eternamente".

Em 2014, o ator foi diagnosticado com um câncer na garganta do qual se recuperou, afirmou sua filha ao NYT. O tratamento, no entanto, provocou a perda da voz, como os fãs viram em sua participação especial como Iceman na aguardada sequência "Top Gun: Maverick" de 2021.

NA JUILLIARD SCHOOL

Kilmer iniciou a carreira no teatro e foi a pessoa mais jovem a ser aceita na renomada Juilliard School de Nova York. Ele fez sua estreia no cinema em 1984 com a comédia "Top Secret".

Dois anos depois, ele teve um de seus papéis mais celebrados: o arrogante e silencioso aviador Iceman, rival e depois amigo de Maverick (Tom Cruise) no sucesso "Top Gun".

Mas alguns fracassos em grandes produções no início dos anos 2000 o levaram a participar durante mais de uma década de filmes de segunda linha e baixo orçamento.

No momento em que começava a se reerguer na década de 2010 com uma bem-sucedida peça teatral sobre Mark Twain, que ele pretendia adaptar para o cinema, o câncer interrompeu sua carreira.

"Val", um documentário sobre sua ascensão e queda em Hollywood, foi exibido no Festival de Cannes em 2021.

HOMENAGEM A BATMAN

Algumas semanas antes de sua morte, Kilmer relembrou seu trabalho como Batman em uma publicação. No dia 23 de fevereiro, ele apareceu em um vídeo, ao lado de um amigo, vestindo a máscara do personagem.

Na gravação, Val Kilmer afirma que "está pronto" e, enquanto coloca a máscara, relembra que fazia um grande tempo desde que interpretou o super-herói. "Você está ótimo", elogia o amigo.

A publicação ainda rendeu muitos elogios ao artista. "Val, você é um tesouro! Você é uma lenda", escreveu uma seguidora. "Amo o Val desde que o vi em 'Tombstone' em 1993, tinha 12 anos!", revelou outra.

ATOR NÃO QUIS TRATAR CÂNCER

Val Kilmer, que morreu aos 65 anos, foi diagnosticado com câncer de garganta em 2014 - mas, segundo sua família, ele demorou a procurar tratamento médico por causa de sua religião.

O ator era adepto da Ciência Cristã. O movimento religioso foi criado em 1866 por Mary Baker Eddy, que disse ter se recuperado milagrosamente de um acidente estudando as curas realizadas por Jesus.

Para a religião, o que os médicos chamam de doença é, na verdade, a "sugestão" de uma doença. Em entrevista ao New York Times em 2020, Val Kilmer explicou por que não gostava de dizer que "tinha" câncer: "A ideia é que, em vez de dizer que eu tenho câncer, exista apenas uma alegação, uma sugestão de que isso seja um fato".

Kilmer via os sintomas como uma manifestação externa do medo. Por isso, a cura seria possível por meio da fé e de orações. O site brasileiro da instituição diz que os adeptos da Ciência Cristã são livres para escolherem o tipo de tratamento que preferirem. E ressalta: "Entretanto, por praticar a Ciência Cristã, muitas pessoas vivem felizes e saudáveis, sem utilizar medicamentos ou outros sistemas de cuidados físicos".

Em 2015, a família do ator disse que ele estava negligenciando sua condição, então, ele resolveu procurar tratamento médico em consideração à sua família. Os dois filhos de Val Kilmer não são adeptos da religião.

Val Kilmer afirmava que foi curado por suas orações. Ele culpava o tratamento médico pelo seu novo problema: o tubo de traqueostomia que o fez perder a voz. "Aquele 'tratamento' causou o meu sofrimento."

Val Kilmer: Uma das últimas aparições no cinema de Kilmer foi em "Top Gun: Maverick", de 2022, com voz recraida por inteligência artificial
Val Kilmer: Uma das últimas aparições no cinema de Kilmer foi em "Top Gun: Maverick", de 2022, com voz recraida por inteligência artificial | Foto: Jim Watson / AFP

VOZ RECRIADA

Uma das últimas aparições no cinema de Kilmer foi em "Top Gun: Maverick", de 2022, no qual reprisou o papel do aviador naval Tom "Iceman" Kazansky ao lado de Tom Cruise - seu personagem no primeiro "Top Gun", de 1986, que o lançou ao estrelato.

Kilmer, porém, já não podia mostrar sua voz marcante desde que tratou um câncer na garganta, diagnosticado em 2014. A traqueostomia comprometeu suas cordas vocais.

Para incluí-lo no filme, o personagem tomou parte de suas características, por ideia de Kilmer - teve um câncer na garganta e prefere se comunicar pela escrita. Em um esforço, ele conversa com o personagem de Cruise, numa cena em que ambos falam sobre dilemas da vida e da aviação.

Ela foi possível graças à recriação de sua voz com ajuda de inteligência artificial, uma parceria que o ator firmou ainda em 2021 com a empresa Sonantic, que criou um modelo a partir de horas de gravações de voz da estrela.

"Eu conheço Val há décadas. Ele é um ator tão poderoso que rapidamente se transformou no personagem de novo. Eu chorei, fiquei emocionado", afirmou Cruise em entrevista a Jimmy Kimmel, na estreia de "Top Gun: Maverick".

CELEBRIDADES PRESTAM HOMENAGENS

Diversas personalidades de Hollywood lamentaram a morte do ator Val Kilmer.

Francis Ford Coppola, que dirigiu Kilmer em "Virgínia" (2011), destacou o talento notável do ator. "Ele foi uma pessoa maravilhosa para trabalhar junto, além de ter sido um prazer conhecê-lo. Sempre lembrarei dele."

Michael Mann, que trabalhou com Val em "Fogo contra Fogo" (1995), afirmou que sua morte é "uma notícia profundamente triste". "Quando trabalhamos juntos, fiquei encantado com seu alcance, sua brilhante variabilidade dentro da poderosa corrente do caráter possessivo e expressivo."

Josh Gad afirmou que Val "realmente foi um ícone". "Descanse em paz. Obrigado por definir tantos filmes da minha infância."Perfil de "Top Gun", franquia da qual o ator fez parte, também o homenageou. "Lembrando de Val Kilmer, cuja marca cinematográfica indelével atravessou gêneros e gerações. Descanse em paz."

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