Ator Umberto Magnani morre aos 75 anos
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quarta-feira, 27 de abril de 2016
Folhapress 
São Paulo Morreu ontem, aos 75 anos, Umberto Magnani, o padre Romão da novela "Velho Chico" (Globo). O ator havia passado mal na segunda-feira, enquanto esperava para gravar o folhetim. Magnani teve um acidente vascular encefálico (AVE) e estava internado no hospital Vitória, zona oeste do Rio. Seu velório foi marcado para a noite de ontem no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, em São Paulo.
Magnani tinha mais de 30 anos de carreira na TV. Na Globo, atuou em "Laços de Família" (2000), "Mulheres Apaixonadas" (2003), "Cabocla" (2004), "Alma Gêmea" (2005) e "Páginas da Vida" (2006), entre outros folhetins.
Deixou a emissora em 2006 para fazer novelas no SBT e Record. Voltou para a Globo dez anos depois para "Velho Chico", mas ficou pouco mais de um mês na trama. A Globo anunciou que seu personagem será substituído por um novo padre, interpretado por Carlos Vereza.
Em fevereiro, em um encontro de divulgação da novela promovido no galpão do diretor Luiz Fernando Carvalho nos Estúdios Globo, Magnani disse que seu personagem na trama era bem difícil de fazer. "Ele é cheio de silêncios", disse. E contou que estava sendo uma "grande experiência" trabalhar com Carvalho, a quem chamou de "danado".
O ator também elogiou a trama de Benedito Ruy Barbosa, que tem uma forte crítica social e trata de problemas do rio São Francisco. "Acho que 'Velho Chico', além de ser linda, é uma causa; Se 10% do público discutirem o que vão ver e ouvir na novela, será bom para o País."
Procurado pela reportagem, Luiz Fernando Carvalho disse que Magnani "morreu em cena e extremamente feliz, como todo grande ator deveria morrer, abraçado a seu último personagem". "Imagine a fraternidade e o bom humor misturados na mesma pessoa, a paixão pelo ofício, a alegria pelo trabalho em que estava vivendo estampado nos olhos azuis. Esse era o Umberto", afirmou.
Benedito Ruy Barbosa, autor da novela, descreveu o ator como um "grande amigo".
"Sempre o considerei uma bela pessoa e belíssimo ator. Fico triste duplamente pela perda do amigo e do ator da minha novela. Que Deus o receba lá em cima com os aplausos que ele merece", disse.
TEATRO E CINEMA
Nascido em Santa Cruz do Rio Pardo, no interior de São Paulo, Magnani ingressou em 1965 no curso de interpretação da Escola de Arte Dramática da USP. Já nesse ano, foi dirigido por Antunes Filho em montagem da peça "A Falecida", de Nelson Rodrigues. Em 1968, foi para o Teatro de Arena, onde substituiu Antônio Fagundes em "Primeira Feira Paulista de Opinião", encenado por Augusto Boal.
Nos anos 1970, ganhou destaque como ator em "O Santo Inquérito", de Dias Gomes. Por sua atuação em "Lua de Cetim", de Alcides Nogueira, levou o Prêmio Molière em 1981.
No cinema, trabalhou em sete produções nacionais. Entre elas está "A Hora da Estrela" (1985), adaptação do romance de Clarice Lispector, e "Quanto Vale ou É por Quilo?" (2005).
Ele deixa a mulher, Cecília Maciel Magnani, e três filhos.


