Ator prefere o teatro
Teatro, eis o habitat natural de Carlos Moreno. Se não em cena, na produção seja como cenógrafo ou figurinista, por exemplo. No caso do Festival de Teatro de Curitiba, ele foi na pele de ator onde apresentou a comédia Arte Oculta, de autoria de Cristina Mutarelli, e direção de Elias Andreatto. O espetáculo, um monólogo, entrou na categoria eventos especiais do FTC. Em cena, o ator e não mais - e apenas - o garoto-propaganda.
Se de uma maneira geral para o restante do Brasil Carlos Moreno é apenas o moço simpático da Bombril, para o público paulistano ele é um ator que transcende a tudo isso. Carlos está há vinte e seis anos caminhando nessa longa estrada da vida artística. A coisa toda começou com o grupo Pod Minoga, um nome estranho de origem polonesa , retirado de um livro de ficção (Café Pod Minoga) que havia na estante da casa da atriz Mira Haar.
Minoga é uma espécie de sardinha, manjuba, ou coisa que o valha. Escolhemos mais pelo som do que pelo significado- conta Moreno. O grupo, que durou oito anos, era composto, além dele e Mira Haar, por Flávio de Souza, Naum Alves de Souza e Dionísio Jacob. Tudo era criação coletiva de texto a cenografia, passando por figurinos.
O espaço para as montagens - uma por ano, em média - era numa garagem onde foi erguida uma arquibancada para quarenta pessoas. O que a gente queria fazer mesmo era se divertir, fazer um trabalho prazeroso- explica. Comédias, só comédias. Fazer rir era o grande objetivo do grupo. Tudo nasceu nas aulas de teatro que até o começo dos anos 70 eram dadas na FAAP.
Lá, Carlos Moreno fazia artes plásticas mas apaixonou-se pelo teatro. Aí veio o fechamento do curso - ministrado por Naum Alves - e ficou um núcleo que queria continuar. Nascia o Pod Minoga. A gente fazia tudo junto, ia ao cinema, teatro, éramos grudados- lembra-se. Mas veio o divórcio. Sem grande traumas, cada um foi cuidar da sua vida.
Carlos, por sua vez, ficou dois anos, de 79 a 81, em Los Angeles fazendo pós-graduação - ele é arquiteto de formação, mas nunca exerceu o ofício. Quando voltei não imaginava o que fazer com a carreira solo- conta. As coisas foram se ajeitando, se ajeitando. Foi trabalhando com diretores dos mais diferentes naipes (Márcia Abujamra, Bia Lessa, José Posso Neto), além de atuar também como cenógrafo em outros tantos espetáculos.
No cinema, teve atuação na comédia Fogo e Paixão, de 88, além da participação em alguns curtas. Na Televisão, de 89 a 90, fez o Euclides, um dos personagens do programa Rá-Tim-Bum que deu origem ao aclamado Castelo Rá-Tim-Bum. Falando em televisão, o veículo que o projetou, Carlos recebeu diversos convites para fazer novela e também programas de humor (desses aceitou uma coisinha aqui ou ali).
Os convites para novelas pintavam da mesma maneira que despintavam. Era sempre pra fazer personagens tímidos ou engraçados. Hoje ele admite que não aceitaria fazer o principal produto de exportação da televisão brasileira. Não é preconceito... Mas eu acredito que não vão me chamar para fazer algo bacana. Além disso, você não tem controle sobre seu personagem, ou seja, você recebe uma sinopse e depois de dois meses não sabe o fim que ele levará- analisa. Em outras palavras, o ator não precisa, por razões óbvias, colocar mais sua cara na televisão para as pessoas o conhecerem. Já tenho meu espaço e com um trabalho de qualidade- diz. E tem mesmo!!(A.M.J.).





