Ator londrinense administra a celebridade
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sábado, 06 de setembro de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Há quem diga que o pai da mentira é o tinhoso. A mãe bem que poderia ser a mídia.
Se fosse bom, conselho não seria de graça, mas, antes de provar o elixir da celebridade instantânea, que muita gente toma sem saber que o prazo de validade é cada vez menor, valeria a pena ler a bula. O encanto da mídia - uma maçã envenenada pelos flashes, paparazzi, capas da ''playisso'', ''playaquilo'' - acaba rapidinho e os que deram uma mordida agonizam até aceitar virar a página do conto de fadas.
Para o ator londrinense André Luiz Lima, o Zangado, um dos ''sete anões'' guarda-costas de Juvenal Antena (Antônio Fagundes), na novela ''Duas Caras'', de Aguinaldo Silva, que terminou em maio, glamour mesmo é uma coisa que a mídia coloca na cabeça das pessoas. Quando acaba, a celebridade do momento é sempre a última a saber.
''Não existe glamour no meio artístico. É a mídia quem fabrica. No estúdio de gravação fica todo mundo apinhado. A Marília Pêra e o Fagundes vão ter que sentar no chão, como os outros. Todos comem no mesmo restaurante, enfim, não existe diferença. Todo mundo é igual.'', comenta Lima.
O londrinense, que integrou companhias teatrais antológicas de Londrina, como o Armazém Companhia de Teatro, Proteu e Delta, agora cruza os dedos para interpretar o cantor Sílvio Caldas, na missérie ''Maysa'', trama de Manoel Carlos, dirigida por Jayme Monjardim, que é filha da cantora.
Atualmente contratado da Rede Globo, onde já fez 12 trabalhos, ele está participando de uma bateria de testes para a minissérie com atores consagrados.
''É preciso estar bem preparado porque todo mundo te vê na televisão. Em qualquer lugar as pessoas te param, as portas se abrem. Os que não têm equilíbrio piram. A fama não dura. Quando termina uma novela, a média é de três meses para esquecerem você. Algumas pessoas ficam bem complicadas psicologicamente'', afirma Lima.
O ator nem pensa em sapatear em cima e quebrar esse espelho gigantesco que é a TV, mas enxerga toda a ilusão que ele é capaz de projetar.
''A televisão é muito boa para mostrar o nosso trabalho. Porém, quando você sai na rua, as pessoas te olham, mas, outras vezes, você acha que todo mundo está te olhando ou vai te ver. Isso é horrível. Na época da novela, desde o aeroporto ao supermercado, era assim. Não conseguia mais andar de metrô. As pessoas começam a te cutucar para chamar a sua atenção'', lembra o ator.
Na opinião de Lima, é preciso ser ator ou atriz de verdade para conseguir viver nesse reino, que de encantado não tem nada. ''A TV é outro ritmo. Tem gente que diz: 'Nunca fiz nada, mas quero ir para a TV'. Não dá, né? Tem que ter uma bagagem, entendimento do personagem. Por exemplo: em algumas cenas, você começa a gravar na sequência inversa. O ator começa com a emoção lá em cima e vai ter que administrar, diminuindo a carga emocional. Isso é muito difícil e quem não tem experiência não consegue dar conta'', ensina.
Quando a Fada Azul Rede Globo toca alguém que consegue entrar no seu castelo encantado - o Projac - é difícil aceitar tirar o sapatinho de cristal e voltar a ser Gata Borralheira.
Lima conta que durante as gravações de ''Duas Caras'' trabalhava 18 horas por dia. Perto do Projac não tem hotel e, como não dava tempo para voltar para casa, o elenco tinha que dormir em um motel. ''Botavam uma galera numa van e seguiam para o motel. A Globo me levou para o Rio de Janeiro. Embora isso seja legal, como ator, também é ter que matar um leão por dia. Porém, é bacana ter um salário fixo, o que te dá um certo conforto para você poder trabalhar. Moro no Leblon e tenho motorista na porta de casa para me levar ao Projac''.


