O temperamento de Carlos Eduardo Dolabella levou o falecido diretor de novelas Paulo Ubiratan a batizar com seu nome uma das quatro pontes de safena que recebeu em 1988 - as outras ''homenagearam'' Tônia Carrero, Lúcia Veríssimo e Mário Gomes. O diretor, que fumava quatro maços de cigarros por dia e largou o vício na ocasião, ironizava assim os astros que lhe davam mais trabalho nos bastidores.
A carreira de Dolabella decolou em 1963, quando ele recebeu o prêmio de melhor ator no festival de Teatro Amador do Estado da Guanabara. A primeira novela veio no ano seguinte: Coração, na TV Rio, com Sérgio Britto e Isabel Ribeiro. Entre seus personagens prediletos em novelas da Rede Globo estavam o delegado Falcão, de Irmãos Coragem (primeira versão) e Neco Pedreira, de O Bem-Amado (1973) - diretor do jornal A Trombeta, ele voltaria a incomodar o prefeito de Sucupira, Odorico Paraguaçu, vivido por Paulo Gracindo, quando o enredo de Dias Gomes virou seriado, na década de 80.
Gostava também de lembrar do Marcito, de O Espigão (1976), e do açougueiro Natalício, de O Astro (1978). Em 1986, protagonizou com a ex-mulher Pepita o programa de jogos e sorteios Alô Pepa, Alô Dola, que durou apenas um mês e sobre o qual ele próprio chegou a dizer: ''Eu não assistiria.''
Com Pepita, fez ainda, para o teatro, as peças Viva Sem Medo Suas Fantasias Sexuais (1985) e Extremos (1986). Em 1996, atuou em O Campeão, na Bandeirantes, e O Labirinto, minissérie de Gilberto Braga, na Globo, em 1998.
Fiel torcedor do Flamengo, Dolabella era filho de um dos fundadores do Clube dos Cafajestes. Foi assíduo frequentador da noite carioca até os anos 80.

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