Os 25 anos da morte do jornalista Vladimir Herzog (1937-75) serão lembrados hoje no ato ‘‘25 Vezes Vladimir’’, que acontece no teatro Ruth Escobar, em São Paulo. Serão interpretados dez textos curtos sobre o personagem que marcou a história do jornalismo brasileiro. No dia 25 de outubro de 1975, Herzog foi encontrado morto nas dependências do Departamento de Operações Internas do 2º Exército, em São Paulo.
Ele fora preso na noite anterior, na TV Cultura, quando preparava o noticiário que iria ao ar. O Exército alegou suicídio. A viúva, Clarice, filhos e amigos mobilizaram-se para demonstrar a farsa, reconhecida por sentença judicial três anos depois.
O ato ‘‘25 Vezes Vladimir’’ – também uma referência ao ato ecumênico que aconteceu na praça da Sé logo após a morte de Herzog, reunindo 8 mil pessoas, mesmo sob repressão policial – é organizado pelo dramaturgo Jair Antônio Alves.
Ele chamou os colegas Reinaldo Maia, Oswaldo Mendes e Renata Palottini, além do cineasta João Batista de Andrade e dos jornalistas Audálio Dantas, Diléa Frate (responsável por textos e pautas do ‘‘Programa do Jô’’) e Fernando Pacheco Jordão, cujo livro ‘‘Dossiê Herzog’’ (Ed. Global, 1975) pode ser encomendado pelo e-mail macunacaarrobauol.com.br (R$ 23,00), com parte de sua renda revertida para os custos do evento.
Os textos refletem sobre a oposição do regime militar em relação à democracia no País, que tem na trajetória de Herzog um dos seus ícones. Haverá ainda participação do diretor Marco Antônio Rodrigues e dos atores Ittala Nandi, Ana Markun, Denise del Vecchio, Cláudio Mamberti, entre outros.
‘‘A questão da tortura, da violência que efetivamente aconteceu no Brasil durante o regime militar (1964-1985), é um lado doloroso, baixo astral, uma ferida muito profunda, que não cicatriza’’, afirma Alves, 61.
‘‘O enfoque que queremos dar com esse ato, com toda responsabilidade, é o seguinte: se havia um estado totalitário, era para reprimir alguma coisa, não era gratuito. E o que estavam reprimindo?’’, questiona.
Para o dramaturgo, Herzog simbolizava na época a modernização das comunicações. Assim que ingressou na TV Cultura, vindo de um trabalho editorial independente na revista ‘‘Visão’’, tinha consciência do papel do jornalismo televisivo na sociedade, do poder educativo do veículo. Segundo Alves, Herzog tinha uma profunda ligação com o teatro. ‘‘Ele dizia que aprendeu italiano lendo Luigi Pirandello, por exemplo’’, afirma, citando o autor de ‘‘Seis Personagens à Procura de um Autor’’.