Imagem ilustrativa da imagem Ato em defesa da candidatura de Lula une esquerda em Curitiba
| Foto: Heuler Andrey/AFP



Curitiba – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (28), em Curitiba, no ato de encerramento de sua caravana pelo Sul, que é favorável às investigações sobre desvios ocorridos na Petrobras. Entretanto, garantiu que não é culpado de nenhuma acusação. "Eu não tenho nada contra a Lava Jato. Eu tenho contra a mentira. Se provarem algum crime que eu tenha cometido, eu paro de fazer política. Mas até hoje não encontraram nada".

O discurso foi acompanhado por milhares de pessoas, que aguardaram o petista por quase três horas, em frente às escadarias do prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), na Praça Santos Andrade. "Sabem que o apartamento não é meu, não paguei, não tem escritura nem recibo", prosseguiu. Quando fogos "sufocaram" sua fala, Lula brincou: "é bom guardar o rojão para a minha festa de posse, no dia 1° de janeiro".

O ex-presidente usou boa parte do tempo para contar ao público as histórias que ouviu nas cidades por onde passou, incluindo as violências sofridas por pessoas que acompanharam a comitiva. Também relembrou feitos de seu governo e fez críticas à cobertura da mídia. "O estimulador de ódio no Brasil chama-se Rede Globo de Televisão. Mas o que não se conformam é que, quanto mais falam de mim, mais eu cresço nas pesquisas".

Lula contou que tem mais duas caravanas para fazer: do Norte e do Oeste brasileiro. "E não é a primeira vez que eu faço caravana. Aprendi uma lição em 1989. Descobri que na campanha presidencial você não tem tempo de conhecer o Brasil. Resolvi que se eu quisesse governar o Brasil atendendo às aspirações do povo brasileiro teria de conhecer profundamente a alma do povo", explicou.

Por conta dos episódios de violência verificados na terça-feira (27), quando dois ônibus da caravana foram atingidos por três tiros no trajeto entre as cidades de Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul, o clima era de apreensão, mas também de apoio. A presença da polícia foi intensificada e várias ruas do entorno foram bloqueadas. Um helicóptero sobrevoou o local durante quase todo o ato.

O atentado motivou os também presidenciáveis Guilherme Boulos (Psol) e Manuela D'Ávila (PCdoB) a se juntarem aos petistas. Assim como eles, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), os senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR), Lindbergh Farias (PT-RJ), João Capiberibe (PSB-AP) e Roberto Requião (PMDB) e o dirigente do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra) João Pedro Stédile, além de outros parlamentares e militantes de movimentos sociais, participaram da manifestação.

"Queriam de fato atingi-lo. Quem faz isso tem certo tipo de mentalidade e faz uma política que não gosta do diálogo e da democracia", disse Dilma. "Enfrentamos uma das mais graves manifestações de fascismo nesse país. A construção do meu processo de impeachment, esse processo fraudulento, semeou o ódio, aquele ódio cego, aquele ódio que constrói a violência", completou.

Enaltecida pelo público, ela emendou: "Obrigada a todos que me amam". A petista demonstrou preocupação com uma possível tentativa de cancelamento das eleições de outubro. "Temos de denunciar a violência e defender o processo eleitoral. Para nós, a democracia é uma arma. Enquanto eles jogam com a violência física, nós usamos a verdade e a nossa capacidade de luta", finalizou.

"Vocês têm de sair de casa daqui por diante com spray na bolsa e em cada muro que acharem livre escreverem 'Lula inocente, Lula presidente', sugeriu Stédile. A esquerda precisa voltar a fazer trabalho de base. Nós viramos bundões. Temos de ir de casa em casa e conversar com o povo", completou. "O povo tem de decidir o seu destino. E eu pessoalmente quero votar no Lula para presidente", discursou Requião.

Manuela também defendeu a união da esquerda. "Precisamos dizer que o nosso país, esse grande país com mulheres e homens que trabalham e potencialidades gigantescas, vencerá o ódio", falou. "Viemos aqui trazer a nossa mais sincera solidariedade a você, presidente Lula, e à militância do PT contra essas agressões. Essa gente já passou de qualquer limite. Essa gente está plantando as perigosas sementes do fascismo", afirmou Boulos.

Lula chegou à praça já perto das 20 horas e só foi falar uma hora depois. Desde às 17h, porém, uma série de atrações culturais movimentou o público. O palco foi montado do lado esquerdo da UFPR. As bandas convidadas cantavam músicas de apoio ao movimento secundarista e contrárias ao presidente Michel Temer (PMDB) e ao governador Beto Richa (PSDB). Também não faltou o tradicional "olê, olê, olê, olá, Lula, Lula". Ambulantes aproveitavam para vender camisetas, faixas, quitutes e até caipirinha.

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