ATLETISMO - Semeando futuros atletas
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segunda-feira, 24 de maio de 2010
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
Tendo como foco o potencial do atletismo em chamar a atenção dos jovens e ser uma motivação para cuidarem da própria saúde e - talvez - até conquistarem uma carreira profissional, o Projeto Londrina Atletismo vem sendo realizado há 11 anos pela Fundação de Esportes de Londrina.
Com o patrocínio da Prefeitura de Londrina, a Sercomtel e a Caixa Econômica, o projeto oportuniza o reconhecimento e o desenvolvimento de jovens talentos na área esportiva. Atualmente 200 alunos, de 11 a 25 anos, participam da iniciativa. A maioria vem da rede pública estadual, normalmente encaminhados após pré-seleções realizadas nas escolas onde estudam. Mas o projeto também está aberto à comunidade em geral e ainda há vagas.
''Mesmo que o aluno não tenha pretensão de ser um atleta profissional, a prática do atletismo melhora muito o condicionamento físico, a coordenação e, em muitos casos, acaba criando o desejo de se tornar um profissional de educação física'', destaca o supervisor do projeto, o professor de educação física José Eugênio Zaninelli. ''E no caso dos pais que também estão preocupados com a ociosidade dos filhos, o projeto é uma boa alternativa'', acrescenta.
Os treinos acontecem na pista de atletismo da UEL no contraturno do período escolar, na parte da manhã e à tarde, três vezes por semana. Em alguns casos, o projeto prevê ajuda mensal de custo aos alunos, que varia de R$ 50 a R$ 2.500 (para aqueles que já estão em um nível mais avançado para competições). O projeto ainda conta com profissionais voluntários que prestam atendimento na área médica e odontológica. Há também os que colaboram na doação de uniformes e tênis usados.
Na última quarta-feira, mesmo sob um frio rigoroso, foi bonito ver o treino dos alunos em várias modalidades. Alguns treinavam até de cachecol, outros pareciam não dar bola para o frio com as pernas e braços totalmente à mostra. O objetivo era não perder o pique, mesmo com o clima desfavorável. No treino que acompanhamos, corridas de velocidade, com barreira, salto em distância e arremessos fizeram parte da programação.
Normalmente, pelo porte físico e até preferência pessoal, o aluno já treina na modalidade que mais gosta. Mas tem casos em que os alunos só decidem após experimentar as mais diversas modalidades.
Alunos da região com potencial para o esporte também podem participar do projeto, que mantém uma república - hoje com 10 moradores - para abrigar o pessoal de fora. É o caso do meio fundista Wellerson Falcão Vivi, de 14 anos. Campeão recordista de 1000 metros na categoria pré-mirim no ano passado, há dois meses ele deixou Guarapuava para treinar em Londrina.
''Aqui ele está tendo boas condições de treino. Ele também sonha em cursar medicina e estou me estruturando para poder mudar para cá com o restante da família para apoiá-lo'', afirma Dirceu Vivi, pai de Wellerson.
Tiago Lorensato de Araújo, 20 anos, está no segundo ano do curso de Educação Física da Unopar. Ele iniciou no projeto quando tinha 13 anos e encontrou nele também a vocação profissional. É destaque na modalidade de 400 metros com barreira - desde 2006 está entre os três melhores no ranking sul-americano e, em 2007, ficou 16º lugar no mundial até 17 anos realizado na República Tcheca.
Atualmente, Tiago faz estágio no Colégio Estadual Moraes de Barros - o mesmo onde estudou e foi pré-selecionado. ''O projeto me fez ter uma visão muito maior do atletismo e uma experiência que fazem grande diferença agora na minha graduação. Quero muito trabalhar com a formação de novos talentos, como fizeram comigo'', destaca.
No treino de lançamentos e arremessos (que podem ser de peso, dardo, disco ou martelo), os alunos se dedicam a exercícios que envolvem técnica, potência e força. ''Muitos pensam que nessa modalidade o principal é a força dos braços, mas mais de 70% do desempenho do atleta depende das pernas'', explica o treinador Anderson de Souza Cruz. Ex-aluno do projeto, agora está concluindo curso de Educação Física na Unopar.
Artur Eloi Pereira Lopes, 16 anos, há três anos participa do projeto e conta que foi de forma despretensiosa que começou a gostar dessa modalidade. O primeiro do Paraná na categoria menor nas provas de arremesso de peso, dardo e disco, Lopes também sonha em fazer faculdade. ''No começo chegava em casa 'quebrado' depois dos treinos, mas logo o corpo acostuma e sinto falta quando não treino. É um esporte que exige muita técnica e força de vontade e sonho em ser um profissional de educação física''.
Mais informações sobre o projeto pelo tel. (43) 3326-1143 (na parte da tarde).


