Atividade promove intercâmbio cultural
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domingo, 15 de junho de 1997
Agência Estado 
DivulgaçãoPropriedade rural na região de Lages: idéia é estimular as fazendas a interligarem a pecuária, a madeira e o turismoO turismo rural existe em Lages há mais de dez anos, mas é agora que está conquistando mais adeptos: a maioria dos hotéis tem de um a três anos de funcionamento. É uma saída para os proprietários de terra nessa região de solo rochoso, difícil para a lavoura. Lages tem sua economia baseada na extração de madeira de araucária - que está sofrendo com o problema da extinção - e na pecuária.
Vamos estimular as fazendas a interligarem a pecuária, a madeira e o turismo, diz o prefeito de Lages, Décio da Fonseca Ribeiro. Não é preciso que todas as fazendas comecem a trabalhar com o turismo, mas que as propriedades ao redor façam produtos caseiros e vendam para os turistas, por exemplo.
Influências Além de mais lucro para os fazendeiros, o turismo rural está trazendo também novas influências de comportamento para os lageanos. Os peões que trabalhavam na minha fazenda eram todos bem chucros, conta Laélio Bianchini Ávila, dono da Fazenda do Barreiro. Hoje, por conversar bastante com os hóspedes, gente do Brasil inteiro e às vezes até estrangeiros, eles estão tendo várias referências que não conheciam. Ávila diz que seus dois principais funcionários do hotel nasceram na própria fazenda e nunca trabalharam em outro lugar.
Quando decidi abrir a pousada, não imaginava o que de mais rico ela pode te dar, diz Achyles Marin, proprietário da Fazenda Aza Verde. Não imaginava o prazer fantástico que é a convivência, conhecer pessoas novas e conversar com elas, ficar amigo de todo tipo de gente, afirma.
Até para manter essa troca de informação, uma decisão tomada pelos proprietários é de não dar treinamento específico para os funcionários. Quando a fazenda vira hotel, são os peões que vão trabalhar como garçom, camareiro, etc. Por isso, às vezes os clientes estranham quando algum funcionário chama o hóspede de tio, diz Ávila. Mas é um termo carinhoso que a gente costuma usar aqui. E eles também falam coisas que parecem estranhas para a gente.


