ATIVIDADE - O medo pode ser superado
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terça-feira, 15 de março de 2005
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Aprender a lidar com os próprios sentimentos para a partir daí conseguir se relacionar melhor com os outros e o mundo é uma lição importante que os alunos de 5 à 8 série da Escola Educativa de Londrina estão aprendendo. Desde o ano passado, a escola está trabalhando o conceito de Desenvolvimento Psicossocial (DPS) como disciplina complementar do currículo básico. Nas aulas de DPS, aplicadas pelo psicanalista Ailton Bastos, as atividades são voltadas para o reconhecimento das próprias emoções. Neste mês, o destaque é vencer os próprios medos. Como parte desta temática, 48 crianças de 5 e 6 séries participaram de uma série de dinâmicas, semana passada, no Corpo de Bombeiros. Lá, elas foram estimuladas a superar o medo de altura, o nervosismo comum quando se pratica coisas novas e o impacto até de lidar com a expectativa da platéia, que, no caso, foram os próprios amigos que acompanharam atentamente o desempenho de cada um.
Nas brincadeiras, que também simulam os desafios da vida, as crianças tiveram que escalar uma parede de quase quatro metros, se equilibrar em exercíos em cordas suspensas onde a falta de concentração ou equilíbrio poderia causar uma queda e descer por uma carretilha em uma corda presa em declive. Tudo foi feito com a supervisão de uma equipe de bombeiros e, mesmo com o aparato necessário de segurança, não faltou adrenalina na hora de arriscar.
O aluno Guilherme Mendes da Silva, 11 anos, contou que ficou nervoso no começo e que sentiu até um pouco de ''tremedeira'' na hora de andar pelas cordas suspensas. ''É um sentimento bom e estranho. Não é medo, exatamente, pois sabia que a atividade era segura. Acho que o nervosismo foi mais por fazer algo pela primeira vez e o aumento da adrenalina'', comentou Guilherme, que admite ter medo de altura e de cobras e que as aulas de DPS estão lhe ajudando muito a superar esse sentimento.
Desirée Nápoli, 11 anos, foi a primeira aluna a fazer escalada e rapidamente já estava no alto da parede. Teve medo e desceu com as mãos suadas. ''Tem que ter muita força nos braços e nas pernas para fazer essa atividade. Gosto muito da disciplina de DPS, que mostra que a gente pode vencer os próprios medos'', disse a aluna. ''Medo de alguma coisa todo mundo tem, mas, se Deus quiser, vou ser uma pessoa corajosa.''
Depois de dez anos no Japão, onde nasceu, Kenji Matsunaga, 11 anos, sabe bem o que é enfrentar situações inesperadas que provocam medo. No seu país de origem, vivenciou alguns terremotos e participou de campanhas para doação de água e alimento para uma cidade próxima a que morava que foi devastada por um terremoto. ''Aqui no Brasil, o meu maior medo é de ladrão. Não tenho medo de cobras porque lá no Japão a gente sempre brincava com elas. Gosto mais da escola no Brasil. Aqui os amigos se abraçam. Lá, eu sempre apanhava quando chegava na escola'', relatou Kenji, que cada vez mais está dominando o português contando com o apoio dos colegas e dos professores.
''Nas atividades que desenvolvemos, buscamos construir com os alunos um dicionário de sentimentos para que possam perceber a variação das suas emoções. Cada atividade prática serve de material para uma reflexão psicológica onde se objetiva a formação integral do aluno. Queremos que ele tenha conhecimento, mas também competência para desenvolver habilidades valiosas na relação interpessoal e consigo mesmo. É quase um trabalho preventivo de saúde mental'', destacou o psicanalista.


