ática Cultural reserva surpresas para os clientes
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terça-feira, 06 de abril de 1999
Por Maria Hirszman 
São Paulo, 07 (AE) - Em três meses, os clientes do ática Shopping Cultural terão uma boa surpresa, prometem seus administradores. A livraria está em plena reforma para adequar-se aos padrões da Fnac, empresa francesa líder em venda de serviços culturais na Europa, que adquiriu as lojas da ática em meados do ano passado. Para adaptar o prédio sem ter de fechar as portas foi necessário reduzir o ritmo das atividades, reformando um andar por vez. O terceiro pavimento do prédio da Avenida Pedroso de Moraes já passou por trabalhos e atualmente o segundo andar está interditado ao público.
"Neste ritmo, conseguiremos reformar um andar por mês e inaugurar a primeira Fnac da América Latina na segunda semana de junho", comemora Pierre Courty, diretor do grupo no País. "Queremos deixar ao paulistano a surpresa de descobrir a nova loja, mas posso adiantar que mudaremos tudo, os móveis, a iluminação; do teto ao carpete", diz o administrador, que chegou ao País em julho para concretizar a compra das lojas do grupo ática (três endereços na cidade) e conduzir sua adaptação ao modelo da matriz. Até a fachada da loja na Avenida Pedroso de Moraes sofrerá alterações. "Vai ser complicado, mas vamos tentar perturbar o menos possível nossos clientes atuais", diz Courty.
Segundo ele, o público brasileiro está completamente preparado para o sistema considerado um dos mais bem sucedidos no seu setor. A primeira novidade para o público é o fato de que a Fnac não é apenas uma livraria ou loja de discos. Esses dois segmentos correspondem a pouco menos de 50% do faturamento geral do grupo na Europa. Ela também vende equipamentos técnicos como câmaras de fotografia e vídeo, computadores e softwares e também presta uma série de serviços ao cliente, como vendas de ingressos ou agenciamento de viagens de turismo.
Como a primeira Fnac brasileira oferecerá o mesmo que as européias (existem 49 lojas na França e outras 10 no resto do continente), não sobrará muito espaço no prédio de 7 mil metros quadrados comprado da ática. "Ele é no tamanho exato", diz Courty. Daí a dificuldade de a empresa francesa de encontrar novos pontos de expansão no País.
"Nosso plano é criar duas a três novas unidades por ano
mas para isso precisamos encontrar espaços interessantes", diz o diretor. Em 1999 serão reformados os três locais já adquiridos
mas existem negociações em vista para uma expansão mais agressiva em termos geográficos. O próximo mercado no alvo da Fnac é o carioca, mas não há nenhuma negociação concluída. Courty também cita o nome de outras cidades consideradas interessantes pelo grupo, como Porto Alegre, Campinas, Curitiba e Brasília. "O problema é que não podemos chegar num shopping e simplesmente encomendar 5 mil metros quadrados, como se eles tivessem uma área desse porte à disposição", brinca.
A crise não parece ter assustado muito os novos investidores. "Fizemos uma série de estudos de mercado e de marketing antes de realizar o investimento", diz Courty, sem mencionar no entanto as cifras envolvidas no projeto. "Trata-se de um mercado em construção e estamos persuadidos que podemos ser atores desse processo, atuar como precursores, estimulando o surgimento de novas produções, marcas independentes e iniciativas inéditas", conclui o diretor.
É possível que com o tempo as Fnacs locais se tornem mais maleáveis, adquirindo um ar mais brasileiro. Mas por enquanto ela seguirá a risca o modelo da matriz e procurará integrar-se ao máximo às estratégias do grupo. Courty conta que já foi procurado pelos gestores da Fnac portuguesa, interessados em saber se a filial portuguesa poderia fornecer-lhes música brasileira, algo ainda difícil de se encontrar no mercado europeu, apesar do forte crescimento do setor. Em contrapartida, os brasileiros podem beneficiar-se com edições de livros portugueses.
No caso da literatura, a ponte com a Europa é um pouco mais complicada, pois é necessário que as editoras se interessem em traduzir as obras. Mas, segundo Courty, o fato de haver uma Fnac Brasil faz com que alguns editores demonstrem maior interesse. "Serviremos um pouco como descobridores", conta ele
afirmando que o sucesso de autores como Paulo Coelho e, mais recentemente, José Saramago, fez os editores começar a descobrir que acontecia alguma coisa no domínio do livro no Brasil e nos países de língua portuguesa.


