Poucos entenderam quando, em ‘‘Nove Luas’’, os Paralamas do Sucesso gravaram grupos como Soda Stereo. Herbert Vianna e companhia tentavam cavar, no Brasil, um espaço para a entrada do vasto mercado fonográfico latino. Não deu certo. Os motivos podem ser vários e passarem pelo preconceito, diferenças de idioma e resistência da indústria fonográfica nacional, mas o fato é que a música brasileira entra com facilidade em toda a América Latina, enquanto o contrário não ocorre.
Elogiados como revelação pop e indicados para o Grammy de Melhor Álbum de Rock Latino - prêmio menor na escala da competição - os Aterciopelados chegam em terras brasileiras pelas mãos da BMG. O duo colombiano formado por Hector Buitrago e Andrea Echeverry traz uma fusão criativa de rock, dance eletrônico e ritmos latinos em ‘‘Caribe Atomico’’, quinto álbum do grupo.
Com um currículo respeitável, Aterciopelados desembarcam no País após uma série de sucessos no exterior, incluindo turnês européias e norte-americanas. Surgido no encontro do baixista Hector Buitrago - com referências do hardcore - e a cantora Andrea Echeverry - da música tradicional colombiana - o duo passou a se chamar Delia Y Los Aminoacidos.
As várias influências foram se convergindo e resultaram no álbum de estréia ‘‘Con El Corazón en la Mano’’, já como Aterciopelados, lançado em 1993. Posteriormente vieram sucessos na MTV e uma turnê por toda a América Latina, menos o Brasil. O grupo também excursionou pelos Estados Unidos ao lado de Soda Stereo, pela Espanha com Heróes do Siléncio e chegou a gravar com Laurie Anderson.
‘‘Caribe Atomico’’ ressalta as influências colombianas, associadas a ritmos latinos e caribenhos como a salsa, mesclados com rock, pop, e música eletrônica. Há espaço até para reflexos da bossa nova e samba. O disco traz participação de Vinicius Cantuária nas guitarras, pandeiro, surdo e tamborim em ‘‘Ma¤ana’’, sucesso nas rádios da Colômbia e uma das melhores faixas do álbum. Arto Lindsay também participa em ‘‘Humo y Alquitrán’’.
O CD abre com ‘‘Caribe Atomico’’, com batida forte e um groove marcado em guitarra distorcida, que se sobressai entre guitarras acústicas e efeitos vocais. Em ‘‘Maligno’’, Hector e Andrea dividem as vozes num rock arranjado com bandoneon, e o resultado acentua a tensão dramática crescente do tango.
A salada sonora dos Aterciopelados é bem costurada e evita sobressaltos, consistindo um disco uniforme e criativo, que pode ganhar ouvintes brasileiros e, finalmente, abrir uma brecha no mercado nacional para produções dos países de língua espanhola.

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