Rio, 09 (AE) - Em 1994, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério da Ciência e Tecnologia associou-se ao Paço Imperial e criou o Atelier Contemporâneo, projeto em que cinco artistas plásticos consagrados eram convidados a criar obras sem preocupação comercial e usando salas do Paço. O sucesso da iniciativa foi tão grande que, nesta quinta-feira, quando se inaugura a 6ª edição do Atelier, será lançado o livro com o mesmo nome, reunindo os 25 trabalhos expostos até o ano passado. "Como chamamos os principais artistas do Rio e São Paulo, o livro acaba sendo um balanço das artes plásticas brasileiras nos anos 90", diz o diretor do Paço Imperial e curador do Atelier, Lauro Cavalcanti.
"Desde o início, nossa idéia foi colocar o público em contato com o processo de criação dos artistas, resgatar alguns nomes que não expunham no Rio há muitos anos e dar-lhes oportunidade de fazer trabalhos em condições que as galerias comerciais não podem oferecer". Segundo Cavalcanti, nestes cinco anos, o Atelier mexeu com as artes plásticas cariocas. Eduardo Sued voltou a expor na cidade depois de muitos anos, Beatriz Milhazes fez sua primeira instalação, Aloísio Carvão reproduziu seu atelier nas salas do Paço e Waltércio Caldas mostrou ao público as anotações de seu processo de criação. "Tudo isso está no livro, que tem um prefácio contando o que o atelier tem representado para os artistas no decorrer dos tempos, farto material fotográfico sobre as 25 mostras e entrevistas com seus autores, que contam como trabalharam e qual a influência do Atelier na obra deles", explica o diretor do Paço.
O livro é editado pela Salamandra e a produção gráfica foi entregue a Victor Burton. "Pedi a ele para fazer desse projeto um Atelier Contemporâneo e o resultado foi um trabalho luxuoso, a ser vendido a R$ 60,00, devido ao patrocínio da Finep", conta Cavalcanti. "Artistas jovens e estudantes poderão comprá-lo, o que não acontece normalmente com as edições de arte".
O lançamento do livro contará com um debate com a participação de críticos, a partir das 17h30, e marcará também o lançamento do Atelier Contemporâneo deste ano, com a participação Carlos Vergara, Lígia Pape, Waleska Soares (mineira residente em Nova York), Nelson Leiner (que tratá seus alunos para dentro do Paço) e Avatar Moraes, escultor gaúcho afastado do circuito Rio/São Paulo há mais de 15 anos. Ao contrário dos anos anteriores, quando cada artista expunha separadamente durante dois meses, cada um deles ocupará uma sala do Paço.
O projeto é totalmente financiado pela Finep, que dá a cada artista R$ 6 mil, nos quais estão incluídos os gastos com material, documentação em vídeo, foto do trabalho e pró-labore. "Nada impede que os artistas busquem outros patrocínios caso elaborem obras mais caras", adverte Cavalcanti. "Dessa forma, conseguimos criar um projeto importante com custo baixo".

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