Até que ponto vai o desconto?
Jackeline Seglin
Londrina
Arquivo FolhaÂngela Marçal argumenta: o contribuinte deixa de ganhar 5,2% de desconto no IPTU à vista, mas em compensação ganha mais um mês de prazo para pagarDepois de quase um mês do início dos investimentos em projetos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, alguns investidores de Londrina ainda têm dúvidas quanto aos descontos que terão ao pagar seu IPTU. A principal delas é o caso dos contribuintes que querem pagar à vista e repassar os 40% para os projetos aprovados pela Lei. A prefeitura não deixou claro que o contribuinte que investe os 40% tem o desconto de 15% (no caso de janeiro) apenas sobre os 60% restantes do valor do imposto. Com isso, o investidor perde 5,2% do desconto integral anunciado pela prefeitura.
O valor à vista - expresso no carnê já com as opções de 15%, 10% e 5% de desconto - não entra para os cálculos do percentual destinado à Cultura. O desconto incide sobre as taxas agregadas (conservação de vias, combate de incêndio, iluminação e coleta lixo) e os 40% da Lei não - só sobre o imposto líquido. Portanto, para fazer os cálculos, o investidor deve aplicar o desconto de 40% sobre o valor do imposto líquido que consta na primeira folha do carnê (sem as taxas). O resultado será subtraído do valor total do imposto. Aí sim será aplicado o desconto de 15%, resultando no valor final de pagamento do IPTU.
O secretário da Fazenda, Luiz César Guedes, explica que, tecnicamente, o contribuinte que colaborou com a Cultura teria 15% de desconto sobre o total do imposto pago à vista. Mas quem garante que, no momento em que tiver o carnê de volta, o contribuinte vai realmente fazer o pagamento à vista?, questiona.
A polêmica é que muitos investidores não estão cientes desse procedimento. Muita gente pensa exatamente no desconto do total do imposto. É uma limitação, mas por enquanto eu não tenho como ter certeza que as pessoas vão mesmo optar pelo pagamento à vista, argumenta Guedes.
Arquivo FolhaLuiz Cesar Guedes pergunta: quem garante que, no retorno do carnê com o abatimento dos 40%, o contribuinte vai realmente fazer o pagamento à vista?
Para os meses de fevereiro e março continua valendo o mesmo procedimento. O contribuinte que investir 40% em Cultura terá desconto de 10% e 5% respectivamente somente sobre os 60% restantes.
O contribuinte pode estar deixando de ganhar 5% de desconto, em compensação ganha mais um mês de prazo para pagar. Além disso, as pessoas têm que ter a consciência de estar investindo num projeto que será revertido para a própria comunidade, argumenta a secretária da Cultura, Ângela Marçal.
A secretária confirma que a perda do desconto nos pagamentos de IPTU à vista já estava prevista desde o início da Lei. Mesmo porque, alega Ângela Marçal, no ano passado o contribuinte já perdia uma parte do desconto ao investir e ainda pagava os 8% obrigatórios no investimento. O investidor é livre para escolher se quer ou não contribuir para um projeto. Presume-se que quem investiu sabia o que estava fazendo.
Segundo Ângela Marçal, o contribuinte deve saber que os 5,2% que deixam de ser deduzidos do desconto integral vão para o projeto incentivado. Ela assegura, no entanto, que no próximo edital isso vai mudar.Nós queremos o desconto integral para o contribuinte, adianta. A lei vai ser polida, vai ser ajustada. Mas não posso admitir que a lei esteja errada. Ela não está, defende-se.
A Secretaria da Cultura se comprometeu a orientar melhor os empreendedores (responsáveis pelos projetos), para que eles expliquem corretamente ao investidor o que ele vai pagar. As pessoas têm que entender uma coisa: a prefeitura tem renunciado a muitas coisas por causa dos 40% destinados à Cultura. Queremos que as pessoas aprendam a investir em Cultura e criem consciência disso, observa Ângela Marçal.
Luiz Cesar Guedes adianta que os contribuintes que investiram nos projetos de cultura em janeiro terão prazo de um mês - a partir da entrada do processo de investimento - para pagar os 60% restantes com desconto de 15%.





