ATÉ OITICICA ENTRA NA DANÇA
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quarta-feira, 23 de maio de 2001
Da Redação 
Um dos grupos mais aguardados na 34ª edição do Filo 2001, a Cia. Étnica do Rio de Janeiro, se apresenta em Londrina. Os espetáculos acontecem hoje no Colégio Vicente Rijo (Av. J.K. 2372), às 10 horas, nos dias 25 e 26, no Teatro Núcleo I (Rua Quintino Bocaíuva, 1243), às 23 horas, e dia 27 - domingo - no Zerão (ao lado do bar Sabor e Ar), às 16 horas.
A proposta do grupo carioca faz um link com o Filo 2001 Por Uma Cultura da Paz e com os Projetos de Maio. Cobertores mostra a vida de adolescentes que moram nas ruas. A peça enfoca uma noite qualquer na vida destes jovens de uma grande cidade. Carmem Luz, diretora do grupo, trabalha com projetos de inserção social e a elevação de auto-estima dos jovens.
Nesta montagem, pode-se encontrar a música e a dança dos que viviam (ou vivem) nas ruas, barrados e perseguidos pela polícia, com seus parangolés feitos de sacos, brinquedos velhos, embalagens, restos do consumo, caixas de papelão, cobertores e outros objetos que compõem o lixo noturno das grandes cidades. Os parangolés/cobertores foram inspirados no trabalho de Hélio Oiticica (1937-1980), artista plástico que fez de sua vida e sua obra um acontecimento de desdobramentos consequentes. Oiticica estava interessado na transformação da percepção do homem e do mundo. Concepção de arte que Carmem Luz trouxe para seu projeto social no Morro do Andaraí, Rio de Janeiro.
Cobertores transforma a rotina dos marginalizados em dança da solidariedade. A peça foi encenada em diversas favelas da Zona Norte do Rio de Janeiro, além de temporadas no Teatro Cacilda Becker e Espaço Cultural Sérgio Porto. A Cia. Étnica foi criada em 1994 e realiza um trabalho social com jovens marginalizados pela sociedade que ali encontram a perspectiva da arte. No projeto, são oferecidos cursos e oficinas objetivando a inserção de mão de obra habilitada na área artística. Desse núcleo surgem bailarinos, atores, diretores, cenógrafos, produtores, cenógrafos e iluminadores.
Do lixo urbano nasce a solidariedade, que se irmana com a arte, um caminho mais curto para o reconhecimento da cidadania. A dança é uma maneira de fortalecer a auto-estima das comunidades e profissionalizar moradores da favela. A Cia. Étnica conta com 60 integrantes, entre artistas e equipe técnica. Sob a coordenação de Carmen Luz, Cobertores reinventa o cotidiano da cidade; dá novas formas ao que é desprezado pelos consumidores; valoriza elementos da cultura afro-brasileira.
Cobertores, com a Cia. Étnica do Rio de Janeiro: concepção, espaço cênico, trilha sonora, figurinos, adereços e direção de Carmem Luz. Coreografia: Carmem Luz, Zenaide Djadilê e Cia. Étnica; assistente de direção: Fábio Batista; iluminação: Ricardo Carvalho.


