O que você preparou para o show de amanhã?
Vou tocar algumas músicas com o Paulinho e com a Neuza Pinheiro. Com ele devo tocar 'Sabor de Veneno' e com ela 'Lástima' e 'Londrina'.

Qual foi a importância do ''Boca do Bode'' para você, para os músicos participantes e para a cidade?
Na época do ''Na Boca do Bode', eu já morava há dois anos em São Paulo, embora meus contatos ainda estivessem em Londrina. Mas lembro que o show teve enorme repercussão na região porque reuniu o pessoal que agitava na época juntando compositores e músicos de Londrina, Cambé e Arapongas. Foi inacreditável. Apareceram o bispo, o prefeito José Richa, todo mundo. E o legal é que foi a primeira vez que reuniu o pessoal para um show profissional. Minha participação foi pequena, à margem, só cantei ''Clara Crocodilo''. Já o Itamar (Assumpção), o meu irmão (Paulinho Barnabé), o Robinson (Borba), o Walter Guimarães e outros tocaram mais músicas. Tive a chance de conhecer melhor o Itamar, porque não tinha muito contato com ele, ao contrário do meu irmão, que tocava com ele em barzinhos e rodas de samba.

Você tem alguma lembrança marcante do show?
Havia uma banda de baile contratada para acompanhar os artistas que tinha uns equipamentos legais. Lembro das caixas Lesley, de um órgão eletrônico e uma câmara de eco feito com gravadores. Lembro também de uma aparição de um cara chamado Carlinhos, que fez uma performance inspirada nas Dzi Croquetes (grupo carioca transformista da década de 70) durante uma música do Robinson Borba. O show teve participação ainda de um compositor chamado Paulo Cesar Chagas que estava radicado na Alemanha.

Daquela turma nem todo mundo deu sequência à carreira musical...
Viver de música é uma opção difícil. A gente tinha uma vida boa de classe média em Londrina e foi difícil vir para uma cidade grande (São Paulo), com a aquela insegurança total, sem saber se tinha talento ou não, e numa situação em que nem seus próprios amigos compreendiam seu trabalho. Eu já estava em São Paulo desde 1970. O Paulinho veio meses depois do 'Na Boca do Bode' e o Itamar apareceu, se não me engano, em 1974. O Robinson Borba era engenheiro na época do 'Na Boca do Bode'. Ele só veio para cá na década de 80, quando eu já tinha estourado. Acho que ele não teria vindo se eu não tivesse feito sucesso e aberto as portas. O Itamar se foi mas deixou uma marca forte na música brasileira. O Paulinho continua aí. Os dois são artistas de nível internacional.

Você destacaria algum músico ou banda que surgiram depois da sua turma em Londrina?
Tem o Sidney Giovenazzi, a Simone Mazzer e alguns músicos que tocam com o meu irmão. A Simone, aliás, canta uma música minha no novo espetáculo do Cia. Armazém de Teatro. O diretor Paulo de Moraes me pediu uma valsa e eu compus ''Toda Nudez'', que tem letra do Riberti. Ele queria que eu a gravasse para a peça, mas falei que eu era limitado como cantor e que precisava de uma cantora para dividir os vocais. Aí ele sugeriu a Simone.

Você tem outros trabalhos em andamento?
Devo gravar em fevereiro a ópera que escrevi para o Itamar Assumpção, que se chama 'A Música em Memória de Itamar Assumpção', com letra do Roberto Riberti. A produção tem patrocínio da Petrobrás e vai contar com coral e 35 instrumentistas.(N.S.)

mockup