Jackeline Seglin
A um passo do Festival de Todas as Artes no ano 2000, o Festival Internacional de Londrina (Filo) deste ano fechou um ciclo firmando uma ponte com as tendências do próximo milênio. Um evento que tem proporcionado a retomada das atenções para a cidade do interior, rompendo barreiras e mostrando que, mesmo por outros caminhos, aqui a informação também circula. Parte da imprensa nacional que, a princípio, não se mostrou seduzida pelos encantos do Festival, resolveu voltar os holofotes para os palcos londrinenses na reta final e desembarcou em Londrina no fim de semana.
O Filo, considerado um dos grandes festivais da área no exterior, tem conseguido estreitar o contato entre diferentes culturas sem render-se às ‘‘fórmulas’’ de conquista do público. Traz o facilmente digerível, mas também o que faz pensar.
A programação deste ano - mais enxuta, porém com maior qualidade -, destacou os espetáculos de rua, a maior atração para a comunidade em geral. Em treze dias, as pessoas riram, criticaram, aplaudiram e se acostumaram a conviver com as maluquices e o humor nos espaços públicos. Os donos da rua - os franceses do Cacahuete - provocaram a indignação e, ao mesmo tempo, a admiração dos espectadores.
Nos palcos, gratas surpresas vindas de vários cantos - do interior nordestino à capital francesa. Nomes que transportaram para a cidade novas tendências da dança, do circo, da música e do teatro.
Espetáculos grandiosos, singelos ou tocantes. A estréia brasileira do espetáculo ‘‘In Spite of Wishing and Waiting’’, da companhia belga Win Vandekeybus & Ultima Vez; a coreografia ‘‘Not Garden’’, da Stephen Petronio’s Company (dos EUA), considerada um marco na dança mundial; a sofisticação que o Teatro Piollin buscou no sertão nordestino; a grandiosidade de ‘‘The Fragrance of Time’’, do polonês KTO, e a busca de uma nova linguagem do grupo argentino La Barraca formaram o panorama multicultural.
A eclética programação musical - que no universo do Cabaré se enquadrou na trilha do festival - reuniu de Ney Matogrosso a Racionais Mc’s, de Karnak a Elza Soares e integrou-se ao cenário mágico transformado pelo público.
O Filo 99 chegou ao final. E deixa mais expectativas para 2000.Chega hoje ao fim mais uma edição do Festival Internacional de Londrina que se prepara para enfrentar os desafios da arte no próximo milênio
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