‘‘Ou ele sai da empresa ou da Fundação Cultural.’’ A frase, em relação a Cassio Chamecki, surpreendentemente, é do vereador Luis Ernesto Pereira (PSDB), integrante da Comissão Permanente de Educação, Cultura, Meio Ambiente e Ecologia da Câmara e aliado de primeira hora do prefeito Cassio Taniguchi (PFL). Para o vereador, Chamecki foi ‘‘inexperiente e infeliz, mas bem intencionado’’ ao aceitar o cargo público sem se preocupar em se afastar de empresa beneficiada pela prefeitura.
O discurso de Pereira mudou radicalmente entre o dia do depoimento de Chamecki e a semana passada. Na primeira ocasião, ele acusou os oposicionistas de ‘‘não ajudar o desenvolvimento da cultura na cidade’’, por pedirem explicações a Chamecki. A comissão é composta por três vereadores que apóiam o prefeito – Jairo Marcelino (PSDB), Geraldo Bobato (PFL), além de Pereira – e dois oposicionistas – o presidente Angelo Batista (PDT) e Paulo Salamuni (PMDB).
Marcelino não vê qualquer problema na situação de Chamecki. ‘‘Tenho certeza de que ele é um jovem claro e honesto.’’ O presidente da Fundação Cultural tem 30 anos. Para Marcelino e Pereira, a prefeitura tem a obrigação de ceder espaços públicos gratuitamente para o festival.
A oposição não tem a mesma opinião. ‘‘O fato de ele permanecer na empresa indica que pode estar havendo um jogo de interesses’’, afirmou Angelo Batista. Ele encaminhou a Chamecki um questionário por escrito. Entre outras coisas, a oposição quer saber o número de locais, servidores e equipamentos públicos colocados à disposição do festival pela prefeitura.
O vereador André Passos (PT), que não integra a comissão, mas se interessou pelo tema por ser ligado à area cultural, disse que pedirá a algum deputado federal do partido para requerer junto ao Ministério da Cultura os relatórios da prestação de contas do FTC à Lei Rouanet, federal.
Para Passos, ao permanecer sócio de uma empresa beneficiada por recursos públicos, Chamecki estaria desrespeitando cinco incisos do Estatuto do Funcionário Público. ‘‘Já temos coisa suficiente para pedir a renúncia dele.’’ Mas isso não será fácil. Para aprovar uma CPI, a oposição necessita de 12 votos. A bancada oposicionista é composta por 11 dos 35 vereadores. (V.D.)

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