Quem filmou, filmou. Depois do atentado que derrubou o World Trade Center na terça, os cineastas que pretendiam usar as torres como cenário terão de refazer os roteiros.
''Homens de Preto 2'' (Men in Black), protagonizado por Will Smith e Tommy Lee Jones, por exemplo, vai passar por adaptações por causa da tragédia. A produção teve de ser interrompida porque o começo e o fim do filme teriam como cenário o WTC prédios, que já não existe mais.
Outro filme que não deve ir muito longe com seu roteiro original é ''Nosebleed'', que seria estrelado por Jackie Chan.
Na história, ele interpretaria um lavador de janelas do World Trade Center que se envolve em um ataque terrorista para destruir a Estátua da Liberdade.
''Homem-Aranha'' (Spider-Man), estrelado por Tobey Maguire, é outra vítima do atentado. O trailer do filme já havia sido divulgado com a seguinte cena: um helicóptero é preso em uma teia amarrada entre as torres gêmeas.
O trailer foi recolhido e as cenas do filme serão mudadas, o que deve atrasar seu lançamento, previsto para 2002.
As produções que falam de terrorismo também estão passando por reformulações depois do atentado. ''Collateral Damage'', com Arnold Schwarzenegger, já estava praticamente pronto e deveria estrear ainda este ano, mas seu lançamento foi suspenso indefinidamente. Uma decisão sem precedentes na história do cinema americano.
No filme, um bombeiro se envolve no mundo do terrorismo internacional depois de perder seu filho e sua mulher em um atentado à bomba.
Sem confiar na eficiência da polícia, ele vai até a Colômbia atrás do bandido.
Em Londres, alguns cinemas tiraram de cartaz ''A Senha: Swordfish''. Na história, John Travolta interpreta um espião que pretende financiar sua própria guerra contra o terrorismo internacional.
O que sobraria do World Trade Center, na visão de Steven Spielberg, está em ''A.I. -Inteligência Artificial'', filme estrelado pelo menino Haley Joel Osment. Na produção, em um futuro distante, Nova York ficaria sob água e os prédios altos ''sobreviveriam'. ''Ironicamente, o filme mostra o prédio daqui a dois mil anos, como se ele ainda existisse naquela época'', comenta o crítico Rubens Ewald Filho.

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