Ataque frontal
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de julho de 2013
Geraldo Bessa<br>TV Press 
Marília Gabriela define-se como uma provocadora por natureza. E da junção entre seu espírito contestador e a visibilidade da tevê, ela acredita que conquistou a liberdade de falar o que bem entende nos inúmeros programas e diferentes emissoras pelas quais já passou. "Tocar em feridas e assuntos polêmicos faz parte da minha trajetória. Eu não tenho problema em me expor, em mostrar minhas ideias e opiniões", ressalta a jornalista, que, atualmente, utiliza boas doses de sua autonomia no "Gabi Quase Proibida", programa sobre sexo que apresenta nas noites de quarta, no SBT.
Na contramão da programação mais tradicional da emissora de Silvio Santos, onde ela também comanda o "De Frente Com Gabi", Marília diz se sentir à vontade para abordar qualquer tema. "Sexo é um assunto sério e que precisa ser debatido de forma natural. Minha intenção é fazer sempre um programa que una entretenimento e utilidade pública", analisa.
Natural de Campinas e criada na pequena Sertãozinho, cidades do interior de São Paulo, Marília começou a carreira na tevê no final dos anos 1960, como estagiária do "Jornal Nacional". Na década seguinte, ganhou respeito interno na Globo ao tornar-se repórter especial do "Fantástico". Mas foi a partir dos anos 1980, no clássico matinal "TV Mulher", que a jornalista conquistou popularidade entre o público de tevê. "Era um programa inovador para a época, com pautas relevantes, entrevistas marcantes e que teve uma grande repercussão", lembra.
Nos anos seguintes, em busca de novas experiências, Marília passou por emissoras como TV Cultura, Rede TV! e Band, onde inaugurou o formato de seu programa de entrevistas "tête-à-tête" em produções como "Cara a Cara", de 1987.
Atualmente, ela se divide entre os dois programas no SBT e o já tradicional "Marília Gabriela Entrevista", exibido pelo canal fechado GNT desde 1997. "Entrevistar sem rodeios ou distrações é a melhor forma de conseguir os melhores depoimentos. Não faço por dever, mas por prazer. Gosto de bater papo e de instigar meus convidados", assume Marília, que, de forma bissexta, também exibe suas porções cantora, em álbuns como "Perdida de Amor", de 2002. E, por fim, também já se dedicou por alguns anos à atuação, em novelas como "Senhora do Destino", de 2004, e "Duas Caras", de 2007. "Gostaria muito de ter tempo para cantar e atuar mais. Mas não se pode ter tudo na vida", brinca.
Atualmente, você apresenta o "De Frente Com Gabi", no SBT, e o "Marília Gabriela Entrevista", no GNT. O que a levou a querer fazer outro programa de entrevistas?
É uma questão de foco. Nos outros programas, eu e meus entrevistados podemos falar sobre tudo. Já no "Gabi Quase Proibida", os assuntos giram em torno da sexualidade humana e todas as suas nuances e complexidades.
A temática do programa não merecia um formato mais ousado ou uma produção diferenciada?
Não tenho infraestrutura e eu gosto mesmo é de entrevistar. Acredito que o formato de entrevista seja uma maneira de tirar bons depoimentos sem distrair o público e o convidado com coisas irrelevantes. Mas, embora seja parecido, é outro programa e tem suas liberdades. Nada me impede de ter dois ou três convidados antagônicos que podem debater o assunto a partir de seus diferentes olhares. Eu quero provocar e receber todo mundo no programa: os que fazem sexo demais, os que não gostam de transar, os virgens, os transexuais, as mentes por trás da indústria pornô... Quero todo mundo na minha frente.
Com média de quatro pontos no Ibope, o "Gabi Quase Proibida" levantou a audiência das noites de quarta do SBT, já recebeu nomes como o cantor Ney Matogrosso e abordou temas como a assexualidade e a estreita relação entre o sexo e a religião. Seu objetivo foi alcançado?
Com certeza. E olha que eu nem tenho grandes pretensões. Quero apenas que o assunto seja tratado de forma natural e sem restrições. A resposta do público me deixa muito feliz e é o que pode dar continuidade ao programa. É muito bom falar de sexo sem "tatibitati", de forma franca e sem rodeios. E nem por isso o programa é de baixo nível. Sexo é cotidiano e é possível desmistificar um pouco o assunto e levar temas ao telespectador sem pudores religiosos ou culpa.
Pelo programa abordar o sexo de forma natural e sem hipocrisias, foi complexo convencer seus convidados a se exporem de forma mais íntima?
Até agora, não encontramos resistência. Até porque eu e minha produção estamos fazendo questão de convidar pessoas que, independentemente de suas posturas liberais ou tradicionais, topem falar de forma simples e esclarecedora. Quero mesmo é provocar uma discussão entre os prós e contras sob inúmeros aspectos da sociedade.
Entre as pautas e informações do programa, alguma prática ou postura sexual a surpreendeu ?
Pode até parecer pretensão da minha parte, mas nada me deixou impressionada ou arrepiada (risos). Sou de uma geração muito liberal e que gostava de experimentar. Sexo, para mim, nunca foi problema. Tive a sorte de ser uma menina do interior sem pudores e muito bem-resolvida.


