Atacama, o deserto mais árido do mundo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de março de 2005
Fábio Vendrame<br> Agência Estado 
Calama - A pergunta é inevitável: ''Filho, mas o que é que você vai fazer no deserto?'' Ainda que não seja feita pela sua mãe, alguém se encarregará de questionar-lhe. A idéia de viajar ao Deserto de Atacama, no norte do Chile, pode soar estranha aos ouvidos de quem só faz as malas para ir a Paris ou a Miami. Nada contra, veja bem. Mas para quem quer realmente sumir do mapa, é o destino dos sonhos.
Uma semana é o mínimo recomendado para se conhecer o Atacama. Antes de sair de casa, confira a bagagem: sob pena de sofrer os nada agradáveis efeitos de uma insolação, não cometa a besteira de se esquecer de um bom filtro solar, protetor labial e chapéu. Inclua ainda um casaco para as frias noites. O resto é feijão-com-arroz.
Tome o rumo do deserto. Ciente desde logo de que em vez de camelos encontrará lhamas, alpacas e vicunhas. E de que verá imensas dunas de areia, mas verá também o impensável: gêiseres em atividade e lagos azuis a mais de 4 mil metros de altitude, um deserto de sal de se perder de vista e branco de doer os olhos, uma fortaleza inca e oásis verdejantes habitados por gente solitária como a camponesa Calixta Lique Gonzales, que distrai os dias costurando prendas e cuidando das lhamas.
Ouvirá histórias dolorosas, se tiver disposição de ir a Chacabuco, antiga cidade salitrera convertida em prisão política. ''As vozes do deserto ecoam na cabeça de quem nele vive'', diz Roberto Zaldívar, que esteve preso e lá mora hoje, sem água nem luz. Sozinho.
E terá em tempo integral a companhia do Licancabur, o onipresente vulcão de 5.970 metros. Com a forma cônica mais perfeita entre os seus pares chilenos, dormita há 35 milhões de anos. Um trekking leva até sua cratera, numa caminhada exigente de 5 a 8 horas. Como base para suas aventuras, terá de escolher entre San Pedro de Atacama, povoado de 1,5 mil habitantes preferido pelos mochileiros, e Calama, a maior cidade do deserto, com 150 mil pessoas e um hotel cinco-estrelas, o Park Hotel, de fino trato.
Quando pegar a estrada, vai poder brincar de arqueólogo. Em meio aos muitos caminhos que cortam o deserto, há vários ''talleres líticos'' oficinas de trabalho em que os ancestrais atacamenhos transformavam pedras vulcânicas, como a obsidiana, em pontas de flecha.
Feito de paisagens espetaculares e histórias de arrepiar, o Deserto de Atacama é dito o mais árido do mundo. São 300 dias por ano sem nuvens, período em que caem sobre sua superfície 15 milímetros de chuva em São Paulo chega a chover mais de 100 num só dia. A olho nu, a vista alcança distâncias de 400 quilômetros. Dá até para ver que não hão de faltar argumentos para responder à inevitável pergunta inicial.
Viagem feita a convite do Park Hotel Calama e da LAN.


