A astronomia não é uma ciência que exige quilos de diplomas e láureas acadêmicas de seus pesquisadores. Pelo menos em Londrina, um grupo de estudiosos autodidatas tem renovado seus integrantes há três décadas, contribuindo para a difusão do conhecimento cosmológico sem ostentar títulos de Mestrado e Doutorado.
O funcionário público Dario Rostirolla, 35 anos, é um deles. Desde a adolescência, participa de grupos e iniciativas ligadas à àrea. Tentou a gradução em Física na UEL, mas não conseguiu concluir o curso. Foi ele quem montou em 1985 o Observatório do Colégio Máxi, até hoje o único da cidade.
Agora está desenvolvendo um projeto ambicioso: a construção de um projetor fixo profissional de 300 kg, cujos dispositivos e sistemas seriam equivalentes a de modelos industrializados. Já apresentou o projeto à Prefeitura, de olho no Planetário municipal. ''Este tipo de equipamento não é construído no Brasil, e custa cerca de R$ 700 mil. Pela minha proposta, os custos seriam reduzidos a R$ 50 mil'' diz.
Expert no assunto, Rostirolla é contrário à instalação de projetores portáteis no Planetário. ''Seus recursos são infinitamente limitados'' observa. Independentemente do aval oficial para seu projeto, ele está montando uma oficina operacional, que será instalada na casa de um colaborador. ''O meu interesse não é comercial, não ganho nada com isso. Quero colaborar com o desenvolvimento da astronomia na cidade'' diz.
O aparelho que pretende montar será, segundo ele, o primeiro do gênero construído artesanalmente no país. Pelo projeto, o projetor da esfera celeste seria composto de 35 sistemas óticos compostos de condensadores e tripletos acromáticos, o que favoreceria a reprodução cintilante das estrelas. O equipamento incluiria ainda ''um dispositivo de projeção do sistema solar do tipo relojoaria''.
O mecanismo seria constituído por lanternas de projeção óticas, projetores especiais para eclipes e engrenagens usinadas através de uma fresa de torno, cujo número de dentes corresponderia ao de projetores profissionais.
Entusiasmado com o interesse da Secretaria Municipal de Educação em reinaugurar o Planetário, o astrônomo amador observa que a iniciativa ''vai trazer uma cultura de Primeiro Mundo para Londrina, além de gerar um lucro líquido de 100 mil reais por ano aos cofres municipais com a bilheteria das visitas da comunidade e de turistas''.
Os benefícios educacionais, segundo ele, serão enormes. ''A astronomia é uma ciência popular'' diz. ''É como uma isca, leva o conhecimento científico para o público e o público até a ciência. Um planetário é o mais eficaz instrumento didático que se conhece. Quem assiste a uma demonstração, desvenda os segredos do céu e passa a ver as aulas de Física e Matemática com outros olhos''.
Além da astronomia, Rostirolla é um estudioso da filosofia, eletrônica e informática. Não por acaso, está lançando o livro ''Hardware Suporte Técnico'', voltado para a construção e manutenção de computadores. O volume está à venda pelo site www.visualbooks.com.br. Há dois anos, publicou o e-book ''Introdução ao Estudo do Sistema Operacional Windows''. Para o futuro, planeja dois novos títulos um voltado para a área de eletrônica digital e outro abordando a construção de telescópios.

mockup