ASTRONOMIA - Enigmas do Universo desafiam cientistas
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segunda-feira, 11 de setembro de 2006
Paulina Abramovich<br> France Presse 
Cerro Paranal (Chile) - Embora nos últimos 50 anos tenham sido desenvolvidos instrumentos de observação com capacidades impressionantes, os astrônomos ainda não conseguem responder a duas das maiores dúvidas da humanidade: quando e como se formou o Universo e se o ser humano é seu único habitante.
No Observatório de Cerro Paranal, o mais poderoso e avançado complexo astronômico do planeta, situado no norte do Chile, o trabalho é incessante à noite. Neste local opera o Very Large Telescope (VLT), instrumento óptico mais potente do mundo, composto de quatro telescópios com um espelho principal de 8,2 metros de diâmetro, que operam em conjunto.
Mas o campo de observação é tão amplo que os astrônomos deste observatório - assim como cientistas de outros cantos do planeta - ainda não têm certeza, embora, na busca de respostas, tenham dado contribuições para o desenvolvimento científico da humanidade. ''Saber como e quando se formou nosso Universo ou se estamos sozinhos são as perguntas mais importantes que temos que investigar'', disse o astrônomo francês Christophe Dumas, que trabalha em Cerro Paranal.
''Sabemos que existiu um nascimento e como se formaram as galáxias, mas ainda não sabemos se as estrelas se formaram primeiro e depois as galáxias ou vice-versa. Estes são campos de pesquisa que ainda não têm resposta'', destacou.
Até agora, a explicação mais aceita para a origem do Universo é a do ''Big Bang'' ou grande explosão, que teria ocorrido há 15 bilhões de anos.
Esta medição temporal surge dos corpos celestes mais distantes detectados e que se situam a uma distância de 15 bilhões de anos-luz, ou seja, sua luz, viajando a 300.000 km/segundo, demorou a chegar à Terra 15 bilhões de anos.
Com relação a uma eventual vida extraterrestre também existem mais dúvidas do que certezas entre os cientistas.
''Não acreditamos em OVNIs (objetos voadores não-identificados), embora pensemos que há uma grande probabilidade de haver vida inteligente em outra parte do Universo'', explicou o astrônomo Dumas.
''A possibilidade de estarmos sozinhos é muito remota, mas esta vida inteligente está muito longe e não podemos nos comunicar'', acrescentou.
Para a astrônoma chilena Miriam PeÀa, da Universidade do Chile e que faz visitas de trabalho esporádicas a Cerro Paranal, não é impossível que existam fenômenos diante dos quais a ciência não tem explicação, como os óvnis.
''Pode ser que muitos dos fenômenos tipo OVNIs sejam verdadeiros porque há muitas questões que ainda desconhecemos, para as quais não temos uma resposta, e que têm que ser investigadas'', disse PeÀa.
No entanto, acrescentou, ''a evidência que estamos estudando nos leva a negar a presença ou a explicação do OVNI quando à caricatura que muitas vezes se apresenta''.
Os cientistas estão conscientes de que a astronomia não é uma ciência com aplicações imediatas, mas resgatam sua contribuição ao alcance tecnológico e científico da sociedade moderna. ''Acho que o importante no processo científico é buscar respostas. Quando estas são encontradas, permitem modificar o já existente e continuar avançando. Não é um processo que termina'', disse Pe¥a. Para o astrônomo Dumas, ''o importante é que haja um esforço para tentar responder perguntas''.


