Astrid Fontenelle estréia o ‘‘Programão’’ no dia 10,
utilizando formatos já conhecidos do público da MTV
Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z NotíciasAstrid Fontenelle: apresentadora vai estrear na Band sem preocupações com o ibope e apostando no estilo irreverenteFernando Miragaya
TV PressVoz grave, jeito despojado e estilo sincero vão ser a marca das noites de sábado da Band. Após nove anos na MTV, Astrid Fontenelle prepara-se para estrear, dia 10 de julho, o ‘‘Programão’’, uma produção semanal de variedades voltada para o público jovem e que tem como objetivo se tornar uma alternativa para o baixo nível da programação de sábado. Na verdade, esta carioca de 38 anos vai trazer para o novo programa ingredientes e formatos que deram certo na MTV. O ‘‘Programão’’ vai ter entrevistas e debates, uma clara mistura do ‘‘Pé na Cozinha’’ e do ‘‘Barraco MTV’’, que Astrid idealizou e apresentou na emissora musical. ‘‘Foram programas também idealizados por mim. Não vejo nenhum problema em adotar o mesmo formato’’, ressalta.
A principal diferença do ‘‘Programão’’ é que, em vez de o entrevistado ir até o estúdio, Astrid vai buscá-lo e fazer a entrevista dentro da cozinha de um ‘‘trailer’’. Enquanto conversam e cozinham, o veículo vai levar os dois até um local de concentração de jovens, como um pátio de colégio ou um bar. A partir daí, o programa vira uma espécie de ‘‘Barraco MTV’’, onde os jovens farão perguntas sobre um tema pré-estabelecido.
Astrid só não quer ficar pensando no ibope. Para ela, a obsessão pelos números da audiência se transformou em uma praga. ‘‘Quero me manter distante disso’’, avisa.
Depois de nove anos, você saiu da MTV para comandar um programa em uma emissora que possui um público mais diversificado. A questão da audiência preocupa?
Na verdade, nem comecei a pensar sobre isso. Se ficar pensando primeiramente na audiência, vou acabar fazendo igual ao Raul Gil: botando criancinha dançando ‘‘É o Tchan’’. Eu acho que tenho de estar um pouco distante da neura da audiência. O diretor é quem tem de ter essa preocupação. Não quero me deixar contaminar por essa praga. Acredito que o ‘‘Programão’’ tem de ser visto e respeitado e sei que há metas a cumprir junto à direção da Band, as quais ainda desconheço. Nem sei quanto é a audiência a essa hora na Band e nem sei o que esperam de mim em termos de ibope. Vamos entrar na concorrência com outras armas.
O sábado virou uma guerra e você vai lutar contra o ‘‘Programa Raul Gil’’, da Record, e ‘‘Festa do Mallandro’’, da CNT. Será que suas armas serão suficientes?
A concorrência foi uma das motivações. Quando a gente viu aquele sábado, com os pagodeiros, percebemos que tinha muita gente em frente à tevê insatisfeita. O que se apresenta aos sábados é muito pouco para a inteligência que, acredito, exista em frente da tela. Raul Gil com crianças dançando ‘‘É o Tchan’’ e pegadinhas do Sérgio Mallandro, não dá... Faremos um programa de uma forma que o povo me entenda. Com bom humor, simplicidade, a linguagem que eu uso, na cara dura.
Esse estilo funciona?
O ‘‘Pé na Cozinha’’ tinha retorno dos telespectadores, que falavam que eu fazia as perguntas que eles queriam. Nunca fiquei perguntando se o cara namora ou não ou se a pessoa fuma ou não maconha. A minha trip é não explorar o superficial, o que todo mundo sabe.
Além do estilo sincero, você também tem fama de desbocada. O jovem se identifica com isso?
Conheço umas pessoas desbocadas e que falam gratuitamente palavrão. Acho que não sou assim. E para falar com jovem não tem como dizer que o show do U2 foi ‘‘muito bom’’ ou que ‘‘a qualidade do som estava impecável’’. Não estarei falando do U2, estaria falando do Luciano Pavarotti. Falo mesmo: ‘‘o show do U2 foi ‘do caralho’’’. Rápido, direto, objetivo e prático. De vez em quando, alguma senhora reclamava que tinha uma apresentadora falando palavrão. Só que esta senhora estava assistindo ao canal errado, pois estou dentro do segmento, estou falando com a juventude.
O ‘‘Programão’’ é uma mistura de ‘‘Pé na Cozinha’’ com ‘‘Barraco MTV’’. Você não se sente constrangida em copiar o formato dos programas da MTV?
Não tenho pudor e não estarei ferindo ética alguma se continuar fazendo o que fazia na MTV. Primeiro porque o ‘‘Pé na Cozinha’’ acabou e foi um programa idealizado por mim juntamente com outros profissionais e feito passo a passo por mim e pela produção. Por que vou abrir mão disso e daqui a pouco ficar vendo algum picareta fazendo esse programa?
Além da cozinha, o programa vai ter entrevistas e debates em locações como bares, colégios e até em uma ilha. Qual o objetivo de fazer um programa em vários locais diferentes?
Primeiro, não dava para ter duas horas de entrevista na cozinha. Então começamos a pensar em outras coisas para não perder o contato com a galera, já que o programa não vai ter auditório. Pensamos num formato em que vou buscar a pessoa em casa, no treino, ou no ensaio, entrevistá-la na cozinha e depois levá-la a um debate com uma galera num pátio de um colégio ou no botequim da esquina. Em outra meia hora, estaríamos levando pessoas a lugares bacanudos e inusitados, que tivessem a ver com eles. Além disso, dentre os vários exemplos que listei com o Nílton, falei também sobre ‘‘Quem levaria para uma ilha deserta’’. E estamos à procura de uma ilha para fazermos entrevistas e ter uma outra situação de programa. Ou seja: serão mais ou menos três entrevistas por sábado nessas variantes de situação.
O debate vai seguir o estilo do ‘‘Barraco’’, com todo mundo falando ao mesmo tempo?
Mais ou menos. A galera vai entrevistar uma pessoa sobre um tema pautado. E aí a gente vai até onde a galera está. Imagino que gere uma espontaneidade maior para eles, pois não tem aquele ambiente de estúdio.

mockup