Assustador e inesperado, "O Sexto Sentido" estréia amanhã em 311 salas do País
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quarta-feira, 20 de outubro de 1999
Por Luiz Carlos Merten 
São Paulo, 21 (AE) - Depois de "A Bruxa de Blair", mais medo no cinema. E agora com crianças. Filmes de terror que põem crianças no centro de acontecimentos sinistros não chegam a ser raros. Podem ser citados, entre outros, "O Iluminado", de Stanley Kubrick, o primeiro "Exorcista", a série "A Profecia" e as duas versões de "A Aldeia dos Amaldiçoados", a de Wolf Rilla, nos anos 60, e a de John Carpenter nos 90. Um menino está no centro da trama de "O Sexto Sentido", que estréia amanhã (22). Ele tem a estranha propriedade de ver (e comunicar-se com) os mortos. Na vida desse menino surge o médico interpretado por Bruce Willis, para ajudá-lo.
É assim que começa o filme do indo-americano M. Night Shyamalan. O diretor disse em entrevista que seu filme preferido é "O Exorcista", de William Friedkin, mas é mais influenciado pelo terceiro da série. Os momentos mais assustadores de "O Sexto Sentido", breves, mas intensos, são aqueles em que os mortos cruzam a tela ou então aparecem rapidamente, para desaparecer em seguida, como se fossem uma alucinação. Isso é coisa do "Exorcista 3". São cenas que fazem de cada sombra um elemento ameaçador da trama, mas não justificam por que o filme andou sendo apontado como a produção de terror mais assustadora dos últimos anos.
Pois "O Sexto Sentido" não é tão assustador assim, o que não impede a história de segurar o interesse por conta da relação do menino, admiravelmente interpretado por Haley Joel Osment, com a mãe e o médico. A mãe não sabe como lidar direito com a revelação de que o filho se comunica com os mortos - uma reação normal -, embora se emocione e se surpreenda com a mensagem que ele lhe transmite da mãe morta; o médico parece estar querendo exorcizar sua falha com outro paciente que se suicidou, depois de dar um tiro nele.
Uma história de segunda chance, contada do ângulo do médico, mas não uma história tradicional. O que "O Sexto Sentido" tem de mais inesperado é o desfecho, que leva o espectador a querer repensar toda a história e a rever o filme para conferir se não existem furos na narrativa. Esse desfecho é bom não revelar qual é, para não tirar a graça. Mas o espectador pode ir preparado para uma surpresa. Somada aos três ou quatro momentos de medo que o filme proporciona, ajuda a entender por que "O Sexto Sentido" já faturou US$ 300 milhões nos EUA e a distribuidora Buena Vista confia tanto nas suas possibilidades comerciais que está lançando a produção em 311 salas de todo o País.
Como "A Bruxa de Blair", o filme parece querer testar os limites do medo no cinema. Mais do que por qualquer outra coisa, seu sucesso se explica pela perturbação que o tema causa: o misto de inocência e medo, finalmente perplexidade do homem diante do mistério da morte como acesso para o que se convencionou chamar de "além".


