Assunto fortalece laços de cumplicidade
A psicóloga Maura Glória de Freitas defende que as perguntas das crianças sobre sexualidade devem ser consideradas cruciais para os pais se aproximarem dos seus filhos e criarem laços de confiança e cumplicidade. ''São oportunidades preciosas que os pais não podem perder. Infelizmente, o assunto é ainda tabu para muitos pais e eles acabam falando pouco ou se esquivando'', ressaltou a psicóloga, que também é professora do Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento da Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''É natural que as crianças perguntem. Porque além da questão hormonal que estão experimentando, as crianças ainda recebem influências culturais dentro do contexto de mundo em que estão inseridas. Tomam contato com o assunto pela internet, pela televisão, revistas e conversas com pessoas mais velhas.''
E além de se preocupar em informar as crianças adequadamente sobre as mudanças que ocorrem no corpo, Maura ressalta que os pais e professores devem se voltar para o ''como'' fazer isso. ''Em grande parte das vezes os pais não reforçam o perigo de lidar de forma irresponsável com o próprio corpo e perdem a chance de prevenir uma gravidez na adolescência, por exemplo'', afirmou.
Para ela, abordar este assunto é um investimento a longo prazo e reprimir na hora do questionamento não faz com que a criança deixe de ter dúvidas. ''Uma consequência ruim é que a criança passa a procurar outras fontes; e nem sempre elas são as mais adequadas.''
Respeitar o grau da dúvida da criança, conforme a faixa etária que ela se encontra, também é recomendado. ''Os pais devem lidar com a pergunta, que vai sendo mais elaborada com o tempo, mas tem hora que precisam antecipar alguns temas, como as situações de agressão sexual. A criança precisa ser orientada o tempo todo e, se tiver abertura de diálogo, ela vai estar mais preparada para se defender'', ressaltou. ''Os pais devem fazer o que chamamos de monitoramento positivo. Estar presente e acompanhar o que acontece com os filhos na casa de amigos, no clube, no vestiário'', comentou.
Outro aspecto abordado por Maura é que cada família precisa estar consciente do conjunto de princípios e valores que a regem para poder se posicionar diante dos filhos. ''A informação precisa ser pautada no que a família considera correta e os pais não devem delegar apenas à escola a função de educar as crianças'', destacou.
Há dez anos, quando os seus filhos ainda eram alunos na Escola O Peixinho, Maura decidiu realizar de forma voluntária uma palestra sobre educação sexual. A idéia deu tão certo que até hoje ela se disponibiliza a ir como voluntária na escola realizar o mesmo trabalho, no final do último bimestre, quando as crianças estão estudando o aparelho reprodutor. Segundo ela, as dúvidas são praticamente as mesmas, comparando com o início do trabalho.
Devido a demanda de palestras para outras escolas, pais e educadores, o seu departamento está organizando um projeto para esse tipo de orientação. Os interessados devem entrar em contato pelo telefone (43) 3371-4227 (falar com Maura Glória de Freitas ou Sílvia Murari).(A.P.N.)





