A agenda de Fernanda Montenegro está recheada de convites para fazer cinema. Mas, por absoluta falta de tempo, não pode atender a tantos pedidos. ‘‘Sempre que possível, tenho aceito estes convites com a maior alegria’’, diz Fernanda.
O jornalista e diretor Pedro Bial está na lista dos não contemplados. Pedro está fechando elenco para filmar a vida de Guimarães Rosa em ‘‘O Nome da Rosa’’ e gostaria de contar com Fernanda no elenco. Mas Zazá vai tomar todo tempo da atriz pelos próximos oito meses. ‘‘Nem poderia pensar nisso agora’’, descarta. O cineasta Paulo César Saraceni não aceitou a tevê como desculpa e decidiu adiar seu filme, ‘‘O Viajante’’, só para contar com Fernanda no casting .
Walter Salles Jr. e Cláudio Torres - que vem a ser filho de Fernanda - tiveram mais sorte. Walter conseguiu, numa brecha da agenda de Fernanda, fisgá-la para protagonizar ‘‘Central do Brasil’’, que até o fim do ano deve entrar em cartaz. No filme, Fernanda vive uma nordestina que ganha a vida na Estação da Central do Brasil, no Centro do Rio de Janeiro, escrevendo cartas para imigrantes analfabetos. ‘‘Foi maravilhoso ter feito o filme’’, resume a atriz.
Em casa Com Cláudio Torres, a negociação foi doméstica. Sabendo de todos os afazeres da mãe, o diretor conseguiu contar com a colaboração de Fernanda para dar um brilho especial ao episódio que dirigiu para o filme ‘‘Traição’’, primeiro longa da Conspiração Filmes inspirado na dramaturgia de Nelson Rodrigues.
Mas não foi só a mãe que deu uma força a Cláudio. A irmã Fernanda Torres e o pai Fernando Torres também participam do episódio. Intitulada ‘‘Diabólica’’, a história gira em torno de uma jovem assanhada que dá em cima do namorado da irmã. Na pele de Diabólica está Ludmila Dayer. Fernanda Torres é a irmã traída e Daniel Dantas interpreta o gostosão disputado pelas moças. Fernanda Montenegro e Fernando Torres são os pais das meninas.
Cláudio, que nunca havia dirigido a mãe, ficou um tanto inseguro no set de filmagem. Quem dedura é a própria mãe. ‘‘Ele ficou muito nervoso. Mas ele disse o que queria e não me precipitei’’, conta Fernanda, que só consegue ver inspiração em cineastas veteranos como Federico Fellini, Stanley Kubrick, Robert Altman, François Truffaut, Vitorio De Sicca e Luccino Visconti. ‘‘Mas, infelizmente, estão quase todos mortos’’, lamenta.

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