Tem gente rindo à toa. Tudo porque a Império da Zona Norte ascendeu ao grupo especial do carnaval de rua do próximo ano. Última escola a desfilar no sábado, obteve 190,19 pontos com o enredo ‘‘Direito e Igualdade Racial no Brasil’’. O destaque da escola foi um grupo de índios Caingangues da Reserva do Apucaraninha, que pela primeira vez participou de um desfile. O convite foi feito pela diretoria da escola ao cacique Jucelino Virgílio. Os ensaios aconteceram na reserva. ‘‘Sempre quis participar e agora chegou a vez. Dá um frio na barriga, mas a gente tira de letra’’, disse Jucelino, pouco antes do desfile da escola campeã do Grupo B. No ano que vem, a Sangue Azul, suspensa por um carnaval por ter levado ano passado número mínimo de integrantes exigido, poderá voltar ao sambódromo.
  A Explode Coração ficou com a segunda colocação. Levou a público o enredo ‘‘Abram Alas, Lá Vem Elas’’ em homenagem à mulher. Como mestre de bateria, Suyane Alves de Souza, 20 anos, estudante, percussionista e fã de carteirinha da cantora Ivete Sangalo, como faz questão de frisar. Sob seu comando, 50 ritmistas. ‘‘O negócio é ter responsabilidade, organização e principalmente respeito pelos batuqueiros’’, disse Suyane.
  Bateria de responsa teve também a Unidos do Sol, terceira colocada. O enredo, ‘‘Vida é Natureza: para o sol sorrir é preciso pensar, preservar e reciclar’’, a primeira a entrar na avenida tão logo terminou o show de Os Demônios da Garoa – os integrantes, aliás assistiram a parte da apresentação do grupo B. Nos dois dias de desfiles, a Ong Adé Fidan abriu os desfiles. Nesse ano, além de conscientização e prevenção, a turma levantou a bandeira em defesa da parceria civil entre pessoas do mesmo sexo.
  O show de Os Demônios foi acompanhado por um público animado, que cantou clássicos de Adoniram Barbosa e até mesmo Wando (‘‘Fogo e Paixão’’). Claro, não faltou coro a ‘‘Trem das Onze’’. ‘‘Trata-se de uma espécie de hino nacional da MPB’’, frisa Simbad, lembrando ter sido o ‘‘hino’’ vertido, entre outras línguas, para o árabes. Sobre o carnaval, o músico tem uma opinião saudosista. ‘‘Eu prefiro o carnaval de salão, que prima pela singeleza. Acho válido o desfile de rua, mas pelo meu coração o carnaval bem que podia voltar às suas origens’’, ressaltou ele.
  De acordo com o secretário Municipal de Cultura, Luciano Bitencourt, os dois dias de desfiles foram visto por cerca de 20 mil pessoas. No total, foram investidos quase R$ 300 mil (entre incentivos às escolas, infra-estrutura, produção, organização, entre outros ítens). ‘‘Estou extremamento feliz porque além da grande participação popular, o carnaval tem um valor comercial e turístico para Londrina’’, analisou.
  Até o ano passado, crianças até 10 anos e acompanhadas dos pais podiam participar dos desfiles. Mas dias antes do carnaval, o Juizado da Vara da Infância e Adolescência baixou a idade para oito anos. Todas os presidentes das escolas foram informados, mas assim mesmo houve quem tentou passar pelo crivo dos comissários. Para o próximo carnaval, o secretário pretende antecipadamente buscar um ‘‘entendimento’’ com o Juizado quanto à idade mínima. ‘‘Nosso carnaval é bem familiar, inclusive muitos pais estavam na arquibancadas acompanhados de seus filhos’’, ressalta Bitencourt.

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