Tida como a montagem mais polêmica do Filo, ‘‘Apocalipse 1,11’’ estréia hoje no Cadeião de Londrina remetendo o público a um emblemático julgamento final
O espetáculo teatral mais aguardado do Festival Internacional de Londrina – Filo – vem de São Paulo. ‘‘Apocalipse 1,11’’, do Teatro da Vertigem, abre os portões do Cadeião da Rua Sergipe para o público londrinense em cinco apresentações, a partir de hoje até o dia 23 de maio, às 20 horas. Os ingressos estão esgotados.
‘‘Apocalipse 1,11’’ expõe as chagas do homem contemporâneo brasileiro, numa das mais contundentes visões da nossa realidade. A partir de uma releitura do texto bíblico Apocalipse, com versão final assinada por Fernando Bonassi, e direção de Antônio Araújo, o Teatro da Vertigem enfoca em quatro atos a trajetória pecaminosa da humanidade e um emblemático julgamento final. Não há como sair imune dessa encenação.
João busca a cidade mítica de Nova Jerusalém. Perambulando com uma mala, ele chega a um quarto barato de hotel, quando recebe a convocação do anjo do apocalipse para registrar revelações. João conduz o público através da narrativa, pelos corredores e celas do Cadeião, de Londrina, que retratam 61 anos de degradação. Nas paredes, histórias que evocam um passado sombrio.
À medida que transita pelos locais, João testemunha um painel das misérias humanas. Numa boate decadente – ambiente de blasfêmia, deboche e aniquilamento – Besta e Babilônia promovem um verdadeiro show de horrores. Bandalheiros e inescrupulosos dão as caras. Em verdadeiros flagelos cênicos, monstros criados pela mídia são crucificados. O espetáculo mostra não haver limites para o desprendimento dos atores em cena.
No terceiro quadro, os massacres são apresentados de forma hiper-realista. Inesquecível é a cena do fatídico massacre dos 111 do Carandiru, quando os degredados são mortos e os espectadores postos num paredão. Por fim, Jesus retorna para julgar os vivos e os mortos. Os encenadores de ‘‘Apocalipse’’ não definem se o julgamento é conduzido por Deus ou um humano. Nesse embate final acontece o encontro entre João e Jesus.
O texto assinado por Fernando Bonassi, traça um painel de punição e castigo, num discurso provocador. O texto foi criado conjuntamente, após uma sessão tripla de workshops. O resultado foi discutido entre o diretor e o autor, depois era digerido novamente por Bonassi sozinho. O trabalho de palco retroalimentava a dramaturgia.
Há um temor de a chuva inviabilizar as apresentações, mas esse é um espetáculo varado de riscos. A cena do julgamento é feita na parte externa da instituição. Por isso, a produção de ‘‘Apocalipse 1,11’’ avisa ao público que caso chova na hora do espetáculo, ele será transferido para outro dia.
Serviço: ‘‘Apocalipse 1,11’’, dramaturgia de Fernando Bonassi, direção de Antônio Araújo, com o Teatro da Vertigem. Elenco: Joelson Medeiros, Luciana Schwinden, Luis Miranda, Mika Winiave, Miriam Rinaldi, Roberto Áudio, Sérgio Siviero, Vanderlei Bernardino, Gilson Giuzo, Kleber Vallin, Maryal Costa, Pedro Vieira, Tales Vinícius, Lucien e Alan.

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