As várias facetas de Jeolás
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segunda-feira, 05 de janeiro de 2015
Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
Luiz Carlos Jeolás - médico, professor, artista plástico, político e humanista - teve sua história contada na biografia "O encantador Jeolás", do jornalista José Antonio Pedriali, recém-lançado pela editora Atrito Arte. Com múltiplos talentos, Jeolás era reconhecido pelo seu lado humano em tudo que fazia. "O livro é uma obra baseada, praticamente, em depoimentos, pois não havia muita fonte documental. Por isso, não há uma ordem cronológica da história dele, mas capítulos que contam cada faceta desse homem que marcou a vida de muitas pessoas. Todos os entrevistados o destacaram como um homem de carisma e alma grandiosa. Não havia outro adjetivo para descrevê-lo, senão encantador", conta o autor.
Nascido em Niterói e formado em Medicina pela Universidade Fluminense de Medicina, Jeolás mudou-se para Londrina em 1962, onde residiu até sua morte, em 27 de dezembro de 1990. Foi diretor do Sanatório de Tuberculose, atuou como pneumologista e cirurgião torácico. Nesta área, aventurou-se empiricamente pela cirurgia cardíaca, protagonizando o primeiro implante de marca-passos no Paraná. "Era muito respeitado por sua dedicação aos pacientes e, como professor, conquistou influência sobre os estudantes porque ensinava em vez de impor." Tinha, também, uma forte ligação com a política, apesar de não ser filiado a nenhum partido.
Em 1974, uma orquite (inflamação do testículo) causada pela caxumba o obrigou a ficar dois meses de repouso. Convalescente, Jeolás recebeu de amigos pincéis e telas e, a partir daí, descobriu, de forma autodidata, sua vocação artística. "Em pouco tempo, expressava o talento que já manifestava com as pinturas aplicadas sobre as abreugrafias dos pacientes trabalho que utilizava em sala de aula. Não teve mestres, mas foi influenciado por Carlos Scliar, José de Dome e Jean Guillaume, de Cabo Frio, de quem se tornou amigo", relata Pedriali no livro.
Além da vocação, a necessidade de isolamento quando pintava foi presenciada logo no início. Na entrada do ateliê, uma placa dizia: "Não enche o saco, pô!" De vários estilos e influências, cada obra retrata um período de sua vida. Mas o foco das suas pinturas foi o ser humano. "A fase final dele, pouco antes de morrer de câncer, tem traços de melancolia", conta o autor. As ilustrações que abrem as seções do livro são reproduções de telas de autoria de Jeolás.
Segundo Lúcia, a viúva, Jeolás não vendia suas obras. "Dava quase tudo de presente para amigos e familiares. Quem possui suas obras, as expõe com muito orgulho."
Em novembro de 2011, os filhos Luiz Carlos Jeolás Filho (Nenê Jeolás) e Leila Jeolás lançaram o livro "Jeolás transfigurações poéticas ou a pintura pela pintura". O livro, uma espécie de catálogo, expõe o trabalho do pai e reúne cerca de 160 obras das 300 estimadas - quantidade que pôde ser inventariada, pois Jeolás não documentava seus trabalhos, não os assinava e tampouco os datava. A família contabiliza, ainda, quinze exposições coletivas das quais ele participou.
Nenê Jeolás, que hoje é doutor em fotografia, lembra do pai pintando diariamente no período da noite em casa, quando retornava do consultório. "Ele era muito disciplinado em suas atividades e, na pintura, não era diferente." Ao longo do tempo, conforme o filho, ele conseguiu imprimir uma identidade muito forte, baseada em questões sociais e políticas. "Ele retratou figuras populares e da favela, por exemplo. Tudo isso envolto numa técnica modernista mais tardia composta de formas e cores puras", define.
Já sobre a influência em sua carreira, ele acredita que não tenha sido diretamente, mas o ambiente em que viveu propiciou suas escolhas. "Nossa casa era frequentada por muitos artistas, poetas e pessoas ligadas à arte."
A filha mais velha, Leila Jeolás, por sua vez, relata que a veia política do pai foi mais emblemática em sua trajetória profissional. "Tive influência pela convivência com as pessoas ligadas às questões políticas e sociais, sobretudo, a inspiração de uma Medicina mais social", diz ela, que é especialista em Antropologia da Saúde.
A editora Atrito Arte está com 23 títulos em promoção até o dia 30 de janeiro, entre eles, "O Encantador Jeolás". O desconto varia de 10% a 50% do valor original. Para a compra de três livros não será cobrada taxa de envio.



