"As Três Irmãs" estréia em nova montagem em SP; entrada gratuita
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quarta-feira, 14 de julho de 1999
Por Beth Népoli 
São Paulo, 15 (AE) - Com as atrizes Renata Sorrah, Débora Evelyn, Betty Gofman e Ana Beatriz Nogueira liderando um elenco de 17 atores, sob direção de Bia Lessa, estréia sábado, do Teatro Popular de Sesi, em São Paulo, a peça "As Três Irmãs", do dramaturgo russo Anton Chekhov (1860 - 1904). A montagem carioca que será apresentada gratuitamente ao público é a derradeira de uma série delas, realizadas no ano passado, sobre textos do autor, incluindo uma outra versão de "As Três Irmãs", com Cláudia Abreu, Julia Lemmertz e Maria Padilha no elenco, que cumpriu temporada no Sesc.
A possibilidade de comparar duas diferentes montagens será sempre enriquecedora, principalmente em se tratando de um dramaturgo como Chekhov, que construiu personagens multifacetados, profundamente humanos nas suas contradições. Até por temperamento, cada ator ou atriz tende a valorizar uma faceta em detrimento das outras. E o difícil em interpretar Chekhov está paradoxalmente na sua simplicidade: ele fala de gente comum, cuja grandeza e tragédia precisam ser entrevistas em meio a um cotidiano aparentemente banal.
A trama de "As Três Irmãs" é muito simples. Olga (Renata), a mais velha, Macha (Débora) e Irina (Betty Gofman), a caçula, são órfãs e vivem numa cidade pequena e tacanha numa província da Rússia para onde o pai delas, um militar morto há exatamente um ano, foi transferido há 11 anos. Além do desamparo da orfandade, vivem um processo de decadência financeira. Como é comum ocorrer aos mortais, idealizam a infância - vivida em Moscou - como um tempo de felicidade plena. Passam então a investir suas esperanças de mudar de vida na carreira do irmão Andrei (Vadim Nikitim), que aspira a uma cátedra na Universidade de Moscou.
Agarram-se à idéia da partida como tábua de salvação e, no início da peça, a esperança é renovada pela chegada à cidade de um destacamento militar comandado por Verchinin (Eduardo Lago), um velho amigo do pai que as conhecera ainda crianças. Quando a peça tem início, elas estão cheias de esperanças, mas o tempo age implacavelmente e suas expectativas vão aos poucos se transformando em frustrações. Além de não partir para Moscou, Andrei passa a viver sob o domínio de sua mulher Natasha (Ana Beatriz), a cunhada indesejada que acaba por tomar conta da casa.
Em sua concepção, a diretora Bia Lessa não abriu mão de utilizar recursos tecnológicos como microfones, play-back em algumas falas e até legendas. Porém, segundo o elenco, as intervenções autorais da diretora - que pela primeira vez em sua carreira encena um texto teatral em vez de uma adaptação de obra literária - não significaram distanciamento da humanidade dos personagens, principal força de identificação da platéia com o universo chekhoviano. Busca - Renata interpreta Olga, a única das irmãs que trabalha desde o início da peça e, por ser a mais velha, a que já passou da idade de casar-se, numa época em que se casar e ter filhos era essencial para a plena realização feminina. "Entre as três, ela é quem já caiu na real; trabalha duro, sabe quanto a sobrevivência é difícil e por isso, no fundo, gostaria mesmo de casar, encontrar amparo num marido, cuidar dos filhos, viver outra vida", observa Renata. "A grande qualidade de Chekhov é por trás disso tudo estar sempre perguntando qual o significado da vida, o que faz a gente ser feliz?", afirma Renata. Serviço - "As Três Irmãs". Drama. De Anton Chekhov. Direção de Bia Lessa. Com Renata Sorrah, Débora Evelyn, Ana Beatriz Nogueira, Betty Gofman, entre outros. Duração de 2h30. De quinta a sábado, às 20h30; domingo, às 18 horas. Grátis (retirar ingressos com uma hora de antecedência). Teatro Popular do Sesi. Avenida Paulista, 1.313, tel. 284-2268. Até 12/9.


