Será que é possível viver sem sangue, sem violência? Inspirado em novela do escritor italiano Alessandro Baricco, o espetáculo ''Sin Sangre'', da companhia chilena Teatrocinema, propõe uma grande reflexão acerca da tragédia contemporânea, que é universal e pode acontecer em qualquer lugar. Com apresentações hoje e amanhã, às 20h30, no Teatro Marista, a montagem é uma das mais esperadas da programação internacional. Os ingressos estão esgotados.
A partir da história de uma sobrevivente de uma chacina, cuja vida é preservada devido à desobediência de um militar, apresenta-se as marcas da violência tanto na vítima quanto no algoz. Em uma linguagem que mistura projeções de imagens e teatro, narra-se as trajetórias de vida dos personagens envolvidos na história até um acerto de contas depois de 40 anos. Legendas em português serão disponibilizadas, em tempo real, como se fossem de filme.
Em um encontro improvável, em que há o reconhecimento de olhares, surge a oportunidade de se estabelecer um diálogo em que o enfrentamento é necessário e possível mesmo diante de tanta dor. Para seguir em frente - e em paz - é necessário olhar o passado, mas acreditar no potencial de vida que persiste no presente e no futuro.
''Todo país que passou por alguma ditadura, por guerras, está repleto de histórias de desaparecimentos, mortes, torturas, e a peça fala do quanto, às vezes, um pequeno gesto de humanidade pode fazer toda a diferença no processo de sobrevivência'', avaliou o diretor Juan Carlos Zagal Reyes, em entrevista coletiva ontem em Londrina.
Ressaltando a contemporaneidade do tema, Reyes comentou dos números de desaparecidos durante a ditadura do Chile: cerca de 3 mil pessoas. ''Na Argentina, aproximadamente 25 mil, e no Brasil? Deve ser muito mais que isso'', lamentou, destacando a importância de se conhecer a história política da América Latina.
''O espetáculo não é situado em um país específico, até porque a violência é universal e pode estar presente em qualquer lugar. Mas precisamos, pelo menos, estar atentos a isso. Outro aspecto que devemos refletir é a responsabilidade de quem ordena e de quem cumpre ordens, o executor, e o poder de nossas escolhas que interferem no nosso destino'', acrescentou.
A montagem faz parte de uma trilogia que tem como proposta experimentar a fusão da linguagem cênica com o cinema. Os espetáculos ''O homem que dava de beber a mariposas'' e ''História de amor'' fazem parte desse trabalho.
Em 2005, o Teatrocinema estava previsto para participar do Filo com a peça ''Gêmeos'', mas não conseguiu devido a problemas burocráticos com a alfândega. Depois de Londrina, o grupo, que já passou pelo Rio de Janeiro, segue para São Paulo.

Serviço
- Sin Sangre, da Cia Teatrocinema (Chile)
Quando - Hoje e amanhã, às 20h30
Onde - Teatro Marista (R. Cristiano Machado, 240), em Londrina
Duração - 105 min
Classificação indicativa - 16 anos
Ingressos para o Filo - R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada para doadores de sangue, estudantes, pessoas maiores de 60 anos, professores das redes estadual e municipal de ensino). Clientes Unimed têm 40% de desconto. Para outros descontos consulte o site.
Ponto de venda - Royal Plaza Shopping (R. Mato Grosso, 310). Abre de segunda a sábado, das 10h às 19h e aos domingos e feriados, das 11h às 19h
Informações - (43) 3344-3386; 3322-2689 (bilheteria) e www.filo.art.br
* ingressos esgotados

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