Paul Cézanne (1839-1906), o primeiro capítulo dos manuais de história de arte moderna, não teve uma biografia turbulenta como muitos de seus pares de pincel. Mas foi ele quem antecipou ou sugeriu tudo o que viria depois no universo da pintura na virada dos séculos 19 e 20.
Cézanne é o destaque de hoje da série ''Grandes Mestres da Pintura'', exibido pela TV Cultura, com apresentação de Laura Wie e texto de Cacilda Teixeira da Costa. O documentário vai ao ar às 22h30 abordando a vida e a obra do artista, que queria pintar o mundo tal como se apresentava diante de seus olhos.
Num primeiro momento associou-se aos impressionistas para em seguida lançar os alicerces da arte moderna abrindo caminho para cubistas, fauvistas e expressionistas. Como todo gênio inovador, foi ignorado pelos críticos só conseguindo vender quadros no fim de sua vida.
Cézanne ficou conhecido pela abstração geométrica de suas naturezas-mortas e pela luz iridescente das composições bucólicas de sua Provença natal. O documentário remonta às suas influências, mostrando também como seus problemas emocionais apareciam nas telas, seja na forma de uma relação perturbada com o corpo nu ou na supressão do desejo sexual.
O programa examina detalhadamente muitas obras de Cézanne, com observações de historiadores e comentaristas, dos artistas Howard Hodgkin, R.B. Kitaj e Bridget Riley, do crítico John Golding, e da neta do artista Aline Cézanne. Produzido na região de sua cidade natal, Aix-em-Provence, o documentário traz ainda fotografias de arquivo que ilustram a vida e a obra do artista.

mockup