As 'sofredoras' da telinha
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quarta-feira, 23 de julho de 2008
Ana Carolina Rodrigues<br> Folhapress 
Basta Catarina (Lilia Cabral) aparecer em cena ao lado do marido, Leonardo (Jackson Antunes), para que o público se prepare para ver mais uma agressão em ''A Favorita''. Seja verbal ou físico, o ataque de Léo consegue acabar com qualquer momento de alegria da personagem, que já não consegue esconder dos filhos e da família o drama que vive dentro e até fora de casa. ''Acho que para tudo tem um limite. Largaria o marido se estivesse no lugar dela'', diz Lilia Cabral, que não vê sentido em manter uma relação em que não haja harmonia entre o casal. ''Diria para ela repensar a vida e procurar a ajuda da família, que, nestas horas, é muito importante. A solidão faz a gente crescer, um casamento fracassado faz a gente fracassar''.
A sofrida filha de Copola (Tarcísio Meira), não é a única sofredora da telinha. Assim como Catarina, outras personagens da ficção ''comeram o pão que o diabo amassou'' nas mãos de homens nada exemplares e conseguiram se livrar de seus agressores, algumas até com certo glamour. Caso de Dália, vivida por Leona Cavalli em ''Duas Caras''. Vítima de Ronildo (Rodrigo Hilbert), a jovem não só conseguiu se afastar rápido do marido como se transformou na carnavalesca da escola de samba da favela da Portelinha, fato que a tornou respeitada na comunidade. ''Um ponto importante para a Dália foi a solidariedade dos amigos e a descoberta de um talento pessoal. Com a nova carreira, a personagem resgatou a auto-estima e parou de acreditar que seu valor era determinado pelo parceiro. Não tem como dar amor se a pessoa não tiver amor-próprio'', diz Leona.
Em ''Senhora do Destino'', Rita de Cássia (Adriana Lessa) levou mais tempo para dar seu grito de liberdade no casamento com Cigano (Ronnie Marruda), mas, quando o fez, arrumou um emprego e um novo amor. ''No começo, a Rita tinha vergonha de comentar o que acontecia com ela, mas, aos poucos, foi recuperando sua auto-estima, graças ao apoio da amiga Maria do Carmo (Susana Vieira) e ao romance com Constantino (Nuno Melo)'', conta Adriana Lessa. Para a atriz, relacionamentos como o de Rita e Cigano são viciados. ''As mulheres estão presas emocionalmente. Com a Catarina acontece a mesma coisa que ocorreu com a Rita. Longe do marido, ela tem um postura forte, mas perto dele se fragiliza'', completa a atriz.
Sucesso no começo dos anos 90, a novela ''Despedida de Solteiro'' trouxe à TV o drama de Lenita (Tássia Camargo), que era agredida diariamente por Sérgio Santarém (Marcos Paulo), considerado um homem respeitado. ''No começo do casamento, Sérgio era carinhoso, mas, por conta do ciúme, ficou agressivo. Com a ajuda dos pais, Lenita teve coragem de encarar a situação pelo amor que sentia por João Marcos (Felipe Camargo). Ela deu uma virada de mesa e ainda ficou com o cara que gostava no final'', relembra Tássia.
Longe da ficção, psicólogos confirmam a importância do apoio da família e de amigos para que as vítimas de agressão resgatem sua auto-estima e abram mão de uma relação que traz mais problemas do que alegrias. ''Ao deixar o agressor, geralmente, as mulheres se dão bem. Transformam-se em outras pessoas, vão trabalhar e recomeçam a vida, dando valor à liberdade e ao respeito'', afirma Eliete de Medeiros, psicóloga especializada em relacionamentos.
Para a psicóloga Junia Ferreira, as mulheres que estão em uma relação marcada pelos maus-tratos não podem se esquecer de princípios básicos. ''Elas precisam se lembrar de que todo ser humano tem o direito de ser feliz e de ser respeitado em sua integridade física, emocional e social'', fala Junia. Sueli Castillo concorda com a colega. ''Para que exista e se mantenha uma relação, têm de haver algumas condições essenciais: amor, carinho, atenção, companheirismo e entendimento. Mas tudo isso não vale nada se não existir o respeito. Respeito por si mesma, pelo outro e pela relação'', diz Sueli. Para a profissional, muitas mulheres erram em achar que podem mudar os parceiros. ''As pessoas podem fazer tudo o que depende apenas delas. Quando depende da modificação do outro, e ele não deseja mudar, tudo continuará como sempre foi. Portanto, o importante é acreditar, valorizar e respeitar a si mesma''.
Catarina também deve dar a volta por cima e conseguir ficar livre do marido ao encontrar apoio em Cléo, interpretada por Paula Burlamaqui, que balançará o casamento da filha de Copola ao se encantar pela dona-de-casa. ''Torço para que isso aconteça logo'', diz Lilia.


