São Paulo - Segundo longa da franquia de animação do brasileiro Carlos Saldanha, o filme "Rio 2" estreia hoje, nos cinemas, entrando numa disputa por bilheteria em que grandes produções internacionais do gênero têm se destacado.

No filme "Rio 2", os protagonistas Blu e Jade, já com filhos, se aventuram na Amazônia para encontrar araras-azuis como elas e acabam achando a família de Jade. Carlos Saldanha, diretor e criador da história, conta que os novos personagens lhe deram trabalho. "Há mais pressão na hora de desenvolvê-los", diz.
Entre os vilões, a carismática perereca Gabi destaca-se ao apoiar, apaixonada, a vingança da cacatua Nigel contra os protagonistas.

"Foi difícil dar textura certa a ela. Tudo o que é natureza é difícil em arte gráfica. Nas cenas do Rio, o mais complexo é fazer as montanhas, o mar e a areia. Na Amazônia, a escala de dificuldade fica maior", conta Saldanha.

Foram necessários seis meses para finalizar uma cena em que os humanos Túlio e Linda descem uma corredeira. "A gente tenta ser o mais autêntico possível", diz.

A brasilidade também está muito presente nas coreografias e músicas do longa - estas, dirigidas por Sérgio Mendes e Carlinhos Brown. "Tem maracatu, carimbó, ciranda, quadrilha... É 100% brasuca!", encerra.

Bilheteria
Até o início desta semana, "Frozen: uma Aventura Congelante" (2013), vencedor do Oscar de longa de animação, liderava o ranking de renda, com a marca de R$ 47,4 milhões arrecadados em cinemas do país.

Na lista dos dez filmes com maior bilheteria em 2014, no Brasil, entram ainda as animações "As Aventuras de Peabody e Sherman" (2014) e "Uma Aventura Lego" (2014), com R$ 14 milhões e R$ 13 milhões recolhidos até agora, respectivamente.

"Tarzan 3D: a Evolução da Lenda" (2013) também foi bem, atingindo os R$ 11 milhões até a semana passada, quando saiu de cartaz nas salas de São Paulo.

"Esses filmes têm atraído público pelo espetáculo que o 3D, o som e as avançadas técnicas de computação gráfica proporcionam na sala de exibição", avalia João Paulo Schlittler, professor de mídias digitais e animação do curso de audiovisual da Universidade de São Paulo (USP).

Além disso, acrescenta, são uma diversão em família. "No século 20, animações eram feitas para adultos, a exemplo da Betty Boop. Depois, tornaram-se infantis. Hoje, encantam crianças e adultos de gerações que cresceram com desenhos e videogames", diz.

Nesses quesitos, "Rio 2" não deixa a desejar. O filme, que tem como protagonistas as araras-azuis Blu e Jade, volta com recursos visuais e trilha sonora mais caprichados. O cenário é a complexa Amazônia.

Dublagem
Além da qualidade técnica, filmes de animação ganham público pelas dublagens. Em "Rio 2", Rodrigo Santoro faz as falas do cientista Túlio.

"Ter vozes conhecidas soma pontos a bons roteiros com bons personagens. E as dublagens no Brasil estão muito bem feitas", diz João Paulo Schlittler, professor de animação do curso de audivisual da USP. "Com a popularização do cinema, o preconceito com filmes dublados diminuiu", observa.

Rodrigo Santoro comenta: "É um exercício criativo, me diverti fazendo o Túlio. Ele se comunica com pássaros e, quando vi, eu estava batendo asas. Dei ideias a cenas."

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