Curitiba - Foi o momento mais luxuoso do evento. As roupas que Karina Kulig faz são para mulheres que ainda acreditam no resgate do glamour vivido no período pré-guerra nas décadas de 20 e 30 do século 20.
Que Karina bebe em fontes internacionais e do passado ela mesmo conta. Que Karina faz roupas perfeitas para festas todo mundo vê. A prova estava na platéia que lotou o evento. Essa visita ao passado não desmerece o trabalho artesanal da estilista. Afinal nomes como os de Elsa Schiaparelli, Balenciaga, Lanvin, Chanel, Cristian Dior, Madeleine Vionnet devem ser eternamente lembrados por quem ousa fazer vestidos longos com glamour.
Mas Karina K vai um pouco mais longe. Ela faz dos babados e seus inúmeros recursos uma marca registrada. Em vários momentos os detalhes na frente ou nas costas com babados mostram um referencial feminino usado desde o início do século 18. Usar adereços de outrora para fazer a moda no presente. Este feeling faz jus ao reconhecimento que a criadora tem na cidade.
Tudo que apareceu nos 20 minutos de desfile, embalado pela música de Bebel Gilberto e do Saint Germain, já tinha sido visto pelo público pelo menos uma vez na vida. No trabalho de Karina o que faz a diferença é a preocupação com o vestir perfeito. As roupas que cria até poderiam ser classificadas como não-desfiláveis. São tão sutilmente delicadas que só ganham a perfeição ao serem feitas para um corpo certo. Não são vestidos que possam ser emprestados. Peças únicas para corpos singulares. Esta é a idéia.
Sem grandes momentos de empolgação por parte do público, a apresentação trouxe também adaptações a peças criadas por Dolce & Gabanna na coleção outono-inverno de 1990 estrelada pela modelo Chrysty Turlington. Ao invés de colocar gotas de canutilhos e pedrarias, Karina aplicou pequenos laços de fita dando uma aparência arrepiada a um vestido longo. Ficou chique.
Mesmo para quem não acredita que ainda exista gente que aposte alto em peças tão delicadamente trabalhadas, fica o consolo de que o Paraná tem moda para todos os bolsos e gostos. Karina K está aí para isto. E ela não esta só. Seu trabalho urbano e contemporâneo confronta com que seu irmão Jefferson Kulig deve mostrar hoje à noite em sua apresentação para nosso deleite.

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