As raposas se repetem
ReproduçãoA imagem da raposa como símbolo da astúcia, da desonestidade, da falsidade, atravessou milênios dentro da literatura universal. Um personagem recorrente, ela integra um amplo leque de fábulas. O escritor alemão Goethe, autor do clássico Fausto, também realizou sua versão de histórias fabulares onde a raposa é o animal menos confiável do mundo.
A raposa de Johann Wolfgang Goethe (1749 - 1832) recebeu o nome de Raineke, e suas aventuras estão no livro Raineke-Raposo que a Editora Companhia das Letrinhas acaba de lançar. A edição não apresenta o longo texto original escrito em versos, mas uma versão recontada pela experiente Tatiana Belink em prosa.
Raineke é o animal mais vil do reino, capaz dos atos mais infames. Sempre consegue, através da mentira e astúcia, sair ileso de todas as suas falcatruas. Condenado em várias situações pelo rei pelo mal causado a outros animais do reino, consegue escapar da forca e reverter a situação a seu favor através da lábia e da mentira. Utilizando-se dos defeitos de seus oponentes, Raineke consegue transformar todo tipo de mentira em verdades, todo tipo de assassinato em menos acidentes, todo roubo em doação.
Utilizando a mesma estrutura das fábulas de Esopo (século 5 a.C.) e Jean de La Fontaine (1621 - 1645), a história de Goethe tem origem no chamado Roman de Renart, narrativa que floresceu na França do século 17 de autoria anônima que ganhou grande popularidade representando a raposa com as piores das faculdades humanas.
Diferente dos contos de fadas, onde o bem sempre vence no final, a história de Goethe caminha em sentido contrário. Raineke comete todo tipo de crime e hipocrisia e sai como vencedor. Não é punido, pelo contrário, é louvado e remunerado. No final da narrativa, misturando fábula e realidade, deixou escrito: Assim são as coisas, e assim elas permanecerão. (M.L.)
Rainek-Raposo - de Goethe, recontado por Tatiana Belinky, ilustrado por Odilon Moraes, Editora Companhia das Letrinhas, 71 páginas, R$ 17,00.





