''As rádios fazem o leilão do hit parade''
As rádios fazem o
leilão do hit parade
Depois de declarar guerra às gravadoras brasileiras, Lobão fundou o que ele chama de movimento dos sem volta. Se minha empreitada não der certo, vai ser muito difícil alguém querer me contratar, admite. Com tantas denúncias e acusações contra o mercado de discos - Lobão afirma que a indústria fonográfica nacional só perde em faturamento para a de armamentos - ele já imagina o que terá que enfrentar e, por isso, se ampara judicialmente para discutir todas as questões delicadas, principalmente as que serão debatidas na Internet - o site Lobão Manifesto começa a funcionar em 25 de novembro.
A pirataria será um dos temas abordados na página virtual. Mas Lobão nem espera o site entrar no ar para pôr a boca no trombone e denunciar as gravadoras. Ele as acusa de serem as grandes incentivadoras da falsificação de discos. Segundo o cantor, as gravadoras cobram um preço abusivo pelo CD. Se cobrassem um valor mais justo desestimulariam a compra de discos piratas. E ficam com a maior parte do dinheiro arrecadado com as vendas. O artista não chega a receber R$ 1,00 por disco vendido, enquanto a gravadora ganha líquido R$ 3,00. Seu lucro chega a ser de quase 1.000% a mais que o do artista, revela.
E as falcatruas da indústria fonográfica, segundo Lobão, não terminam aí. As rádios também faturam - e alto - para divulgar um cantor e colocar sua música no top das mais pedidas. É o famoso jabá, o leilão do hit parade. A rádio divulga o cara, mas ganha um dólar por CD comercializado. Se o cantor vender um milhão de cópias, por exemplo, a rádio fatura um milhão de dólares. É muita grana, diz, inconformado.
Sem dinheiro, nem estômago para digerir os jabás, Lobão decidiu deixar de lado as rádios comerciais e investir nas comunitárias de todo o Brasil. Não quero ser movido a jabás. Se as rádios comerciais quiserem meu novo CD vão ter que comprar na banca. O público vai pedir minhas músicas e as rádios terão que se virar, esnoba. (A.C.)





