A porta de entrada do deserto do Sahara, na Tunísia, foi o destino escolhido desta vez pelo artista plástico Celso Coppio, que inaugura sua nova exposição na quinta-feira. São 28 telas, pintadas durante uma viagem ao Norte da África, há dez meses. Na mesma noite, ele mostrará em primeira-mão a recém-finalizada série ''Via Lucis'', realizada sob encomenda e que ficará em exposição permanente em Roma, na Itália.
O pedido foi feito há cinco anos, pela Pontifícia Universidade Salesiana de Roma. São 14 quadros a óleo, que retratam a continuação da ''Via Crucis'', ou seja, contam a história de Cristo a partir da sua ressurreição. ''Não há nenhuma bibliografia e nenhuma obra no mundo sobre isto, portanto a criação foi totalmente minha'', explica. ''Dei asas a imaginação'', brinca.
Executada em Curitiba, após ter os esboços aprovados por Roma, a série está pronta e deverá embarcar para a Itália no primeiro semestre do próximo ano. Provavelmente, os quadros ficarão expostos na Igreja Salesiana de Santa Croce, em Roma.
Na última década, Coppio viajou para o Japão, China, Malásia, Cingapura, Indonésia, Grécia, Rússia, países do Leste Europeu, Índia, Tibet, Nepal e para a cidade de Veneza, durante um Carnaval. Todas as viagens transformaram-se em magníficas exposições.
''Procuro sempre captar a atmosfera dos locais e transmití-la com fidelidade e sensibilidade em meus quadros'', resume o artista. Para isto, bem longe dos hotéis cinco estrelas e dos ônibus com ar-condicionado, Coppio se aproxima do povo e dos costumes de cada região. Na Tunísia, por exemplo, passou mais de um mês no deserto, dormindo em tendas, utilizando as vestimentas locais e convivendo apenas com os berberes.
''O mais difícil foram as comidas, totalmente estranhas para nós, e o idioma, já que quase todos ali são analfabetos e só nos entendíamos por mímicas'', narra. Mas todo o sacrifício valeu à pena. ''Entre areias e estrelas, à noite, o silêncio era tão grande que pude ouvir as batidas do meu coração'', conta emocionado. ''As estrelas pareciam tão próximas que eu seria capaz de tocá-las'', lembra.
Durante o dia, munido de telas e tintas, Coppio registrava as tamareiras e oliveiras do Sahara, o deserto dourado, ''o colorido que se assemelha ao açafrão e ao curry''. Sua sensibilidade é tamanha que os quadros parecem mesmo expressar até mesmo o perfume do gengibre e da canela, o doce sabor da menta e a sensação de dormir no deserto.
''Despeço-me deste país trazendo na alma sua essência humana'', filosofa. ''Na mente, trago a certeza de que é possível arrancar do solo árido, mesmo que quase estéril, o néctar para a sobrevivência'', ensina ele.
Celso Coppio é paulista, morador em Curitiba há 23 anos, e ingressou na vida artística aos 14 anos de idade, como escultor em terracota. Participou de cursos livres de História da Arte no Brasil e na Itália, estudando com mestres como Rosy Carrão e Salvador Rodrigues Jr. Percorreu toda a Europa, Estados Unidos, Canadá, Oriente Médio e Extremo Oriente, estudando obras de grandes impressionistas.
Possui obras em coleções particulares em quase todo o Brasil e cidades do exterior, como Milão, Roma, Bérgamo, Belluno, Florença, Bruscoli, Genova, Pavia, Turim, Paris, Madrid, Barcelona, Seattle, Nova Iorque, Orlando, Zurich, Salzburg e Viena. O artista frequentou ainda a Real Academia de Belas Artes de Barcelona, na condição de artista profissional. Atualmente, mantém um atelier em Roma e outro em Curitiba, onde leciona.


A mostra individual do artista plástico Celso Coppio, será inaugurada na quinta-feira, às 21 horas, na Galeria e Escola de Arte Celso Coppio (Avenida Cândido Hartmann, 11, Bigorrilho), fone 41-222-5288. A exposição poderá ser vista até o dia 20 de dezembro.

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